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Saúde Organização das Nações Unidas acredita ser viável acabar com a epidemia da aids até 2030

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Teste de HIV acessível é um passo importante no combate ao vírus. (Foto: Reprodução)

Erradicar a epidemia da aids até 2030 ainda é possível, afirmou a ONU (Organização das Nações Unidas) nesta semana. O obstáculo é a falta de financiamento para exames e tratamentos, que atrasa a luta contra a epidemia mais letal do mundo. Uma pessoa morreu a cada minuto em 2022 em decorrência da doença.

Um novo relatório divulgado pelo Unaids (Programa das Nações Unidas para HIV/Aids) mostra que há um caminho claro para acabar com a aids como ameaça à saúde pública. Esse caminho também ajudará o mundo a estar mais bem preparado para enfrentar futuras pandemias e a avançar no progresso em direção à conquista dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

O relatório intitulado “O Caminho que põe fim à aids” traz dados e estudos de caso que destacam que o fim da aids é uma escolha política e financeira, e que os países e lideranças que já estão seguindo esse caminho estão obtendo resultados extraordinários.

“O fim da aids é uma oportunidade para as lideranças de hoje deixarem um legado extraordinariamente poderoso para o futuro”, defende Winnie Byanyima, Diretora Executiva do Unaids.

“Essas lideranças podem ser lembradas pelas gerações futuras como aquelas que puseram fim à pandemia mais mortal do mundo. Podem salvar milhões de vidas e proteger a saúde de todas as pessoas”.

O relatório destaca que as respostas ao HIV têm sucesso quando estão baseadas em uma forte liderança política. Isso significa respeitar a ciência, dados e evidências; enfrentar as desigualdades que impedem o progresso na resposta ao HIV e outras pandemias; fortalecer as comunidades e as organizações da sociedade civil em seu papel vital na resposta; e garantir financiamento suficiente e sustentável.

Brasil

O novo relatório revela que o Brasil atingiu uma das três metas recomendadas para acabar com a epidemia de aids até 2030. De acordo com o estudo, 88% das pessoas que vivem com HIV possuem o diagnóstico, 83% estão em tratamento retroviral e, entre eles, 95% estão com a carga viral suprimida. A agência da ONU sugere que todos os indicadores alcancem os 95%.

No entanto, segundo o Unaids, o país ainda enfrenta obstáculos, causados especialmente pelas desigualdades, que impedem que pessoas e grupos em situação de vulnerabilidade tenham pleno acesso aos recursos de prevenção e tratamento do HIV.

A representante do Unaids no Brasil, Ariadne Ribeiro Ferreira, alerta que há um movimento em casas legislativas municipais, estaduais e até mesmo no Congresso de “apresentar legislações criminalizadoras e punitivas” que afetam diretamente a comunidade Lgbtqia+, especialmente pessoas trans.

Para ela, este movimento soma-se às desigualdades, aumentando o estigma e a discriminação de determinadas populações e pode contribuir para impedir o Brasil de alcançar as metas de acabar com a aids até 2030.

Segundo o Unaids, globalmente, 39 milhões de pessoas estão vivendo com HIV, sendo 990 mil no Brasil. O número de pessoas em tratamento antirretroviral é de 29,8 milhões em todo o mundo e 723 mil no país.

Já o número de infecções por HIV chegou ao total de 1,3 milhão, sendo 51 mil no Brasil. De acordo com o Unaids, o número de mortes até 2022 foi de 620 mil, com 13 mil dos casos em território brasileiro.

Dados globais

O relatório, no entanto, também enfatiza que o fim da aids não ocorrerá automaticamente.

– Em 2022, a cada minuto, uma pessoa morreu em decorrência da aids.

– Cerca de 9,2 milhões de pessoas ainda não têm acesso ao tratamento, incluindo 660 mil crianças vivendo com HIV.

– Mulheres e meninas ainda são desproporcionalmente afetadas, especialmente na África subsaariana.

– A cada semana, em 2022, 4 mil jovens mulheres e meninas foram infectadas pelo HIV no mundo. Apenas 42% das regiões com incidência de HIV acima de 0,3% na África subsaariana são atualmente abrangidas por programas de prevenção dedicados ao HIV para adolescentes e jovens mulheres.

– Quase um quarto (23%) das novas infecções por HIV ocorreram na Ásia e no Pacífico, onde as novas infecções estão aumentando alarmantemente em alguns países.

– Aumentos acentuados de novas infecções continuam ocorrendo no leste da Europa e na Ásia central (aumento de 49% desde 2010) e no Oriente Médio e Norte da África (aumento de 61% desde 2010). Essas tendências são principalmente devido à falta de serviços de prevenção do HIV para populações marginalizadas e às barreiras impostas por leis punitivas e discriminação social.

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