Quinta-feira, 02 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 1 de julho de 2026
Organizações humanitárias e agências ligadas à Organização das Nações Unidas (ONU) alertaram que o já frágil sistema de saúde da Venezuela está sendo levado ao limite uma semana após dois fortes terremotos. Hospitais danificados e com falta de profissionais estão sobrecarregados pelo número de feridos, enquanto a deterioração das condições na área afetada pelo desastre favorece a disseminação de doenças infecciosas.
As dezenas de equipes nacionais e internacionais espalhadas pela Venezuela seguem concentradas na busca por sobreviventes.
O número oficial de mortos já ultrapassa 2 mil, e novos corpos continuam sendo retirados dos escombros.
Mas uma crise humanitária já se desenrola entre os sobreviventes. Agências das Nações Unidas manifestaram preocupação com os efeitos à saúde de milhares de pessoas deslocadas que estão dormindo há dias ao relento ou em abrigos superlotados e sem condições adequadas de higiene.
Autoridades venezuelanas afirmam que mais de 15.800 pessoas foram afetadas pelos terremotos — número que corresponde ao total oficial de desalojados, segundo a porta-voz da agência da ONU para refugiados, Carlotta Wolf. Sem moradia de uma hora para outra, venezuelanos estão dormindo em carros, parques e outros locais por falta de abrigos emergenciais suficientes.
Wolf afirmou que esse número deve continuar aumentando. Muitos dos deslocados no estado de La Guaira, o mais atingido, enfrentam uma grave escassez de alimentos, disse ela.
Em entrevista coletiva em Genebra na terça-feira, o porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Christian Lindmeier, alertou que os venezuelanos deslocados, sem acesso a banheiros, chuveiros, sabão ou alimentação adequada, estão cada vez mais vulneráveis a surtos de doenças evitáveis, como o sarampo, devido às baixas taxas de vacinação da população. As condições também favorecem a disseminação de doenças transmitidas pela água e por vetores, como dengue, febre amarela e malária.
O sistema de saúde venezuelano, enfraquecido por décadas de falta de investimentos e anos de crise econômica, está “sob extrema pressão, com unidades funcionando além de sua capacidade para atender ao aumento dos casos de trauma”, afirmou Lindmeier.
Segundo o governo, os terremotos da semana passada danificaram ou comprometeram 38 hospitais em todo o país. A OMS informou que avaliou, até o momento, 21 dessas unidades. Três delas deixaram de funcionar completamente, outras seis sofreram danos e as demais estão operando sob forte pressão devido ao grande número de feridos.
A OMS informou ainda que muitos médicos especialistas continuam desaparecidos sob os escombros, incluindo responsáveis pelos serviços de maternidade em La Guaira, agravando ainda mais os desafios do sistema de saúde de um país do qual cerca de 8 milhões de pessoas — entre elas muitos médicos e enfermeiros — emigraram nos últimos anos.
“As avaliações revelam uma prestação de serviços caótica e um fluxo de pacientes marcado pela superlotação, aumento das filas para cirurgias e colapso das medidas de biossegurança”, afirmou Lindmeier. Ele acrescentou que “o colapso dos serviços forenses e dos necrotérios, além do registro inadequado das vítimas”, dificulta dimensionar a extensão da tragédia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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