Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 24 de fevereiro de 2020
Milhares de contas ligadas à Rússia nas redes sociais propagam de forma coordenada desinformação contra os Estados Unidos sobre o novo coronavírus surgido na China, disseram funcionários do governo americano. As contas disseminam teorias da conspiração, nas quais os Estados Unidos estariam por trás do surgimento do vírus, em uma tentativa de prejudicar a reputação americana. As informações são da agência de notícias AFP.
Funcionários do Departamento de Estado encarregados de combater a desinformação russa contaram que usuários estão usando identidades falsas no Twitter, Facebook e Instagram para promover os argumentos e as conspirações russas em vários idiomas.
“A intenção da Rússia é de semear a discórdia e desgastar as instituições e alianças dos Estados Unidos, inclusive por meio de campanhas secretas e coercitivas de influência maligna”, disse Philip Reeker, subsecretário interino de Estado para Assuntos Europeus e Euroasiáticos.
Segundo ele, os russos estariam divulgando a teoria de que o vírus foi criado pelos Estados Unidos para “evitar uma guerra econômica contra a China”; também afirmam que seria uma arma química biológica inventada pela CIA e que isso faz parte de uma estratégia ocidental de disseminar “mensagens anti-China”.
“Ao difundir desinformação sobre o coronavírus, os agentes malignos russos escolhem novamente ameaçar a segurança pública, tirando o foco da resposta de saúde mundial”, disse Reeker.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zajarova, chamou a acusação do governo americano de “deliberadamente falsa”, em entrevista à agência pública russa Tass.
Mensagens em vários idiomas
Os funcionários americanos afirmam que as contas, controladas por pessoas e não robôs, publicam mensagens simultaneamente em inglês, francês, espanhol, italiano e alemão.
O Departamento de Estado dos EUA, que tem um braço que se dedica a combater campanhas de desinformação no exterior, monitora em redes sociais milhares de contas acusadas de interferir virtualmente em diversas crises em todo o mundo, desde a guerra na Síria até os protestos no Chile e na França.
Ao contrário de outros momentos em que as atividades desses grupos duravam geralmente três dias, as contas têm estado ativas durante um mês, relatam as fontes americanas, o que seria um sinal da importância que os russos dão ao caso.
“Isso é clássico da doutrina russa na guerra da informação”, afirmou um funcionário do Departamento de Estado.
A imprensa russa financiada pelo Estado começou uma campanha pela internet no último 20 de janeiro, publicando artigos e entrevistas contra o Ocidente em relação a possível causa da epidemia.
Os operadores das contas nas redes sociais começaram a compartilhar globalmente no dia seguinte, segundo funcionários americanos. “É pouco provável que seja uma coincidência”, disseram.
Essa campanha de disseminação de informações sobre o novo coronavírus foi descoberta pelos funcionários americanos em meados de janeiro, quando a China tinha apenas três mortos pela doença em Wuhan, epicentro da epidemia.Desde então, mais de 2,5 mil pessoas morreram, principalmente na China. O número total de casos supera 76 mil e o vírus já se espalhou por 26 países.
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