Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 7 de setembro de 2018
Os Estados Unidos e a Índia assinaram um novo acordo de segurança na quinta-feira (06), cimentando as relações entre os dois países e destravando a venda de armamentos americanos de alta tecnologia no valor de bilhões de dólares ao maior importador de armas do mundo.
Washington vê a Índia como o esteio de sua nova estratégia no Indo-Pacífico para conter a ascensão da China, mas gastou meses pressionando por uma cooperação mais estreita. Os EUA querem que Nova Déli participe de mais exercícios militares conjuntos, reforce seu papel na segurança marítima regional e aumente a compra de armas.
“Nós apoiamos plenamente a ascensão da Índia”, disse Mike Pompeo, secretário de Estado americano, durante uma visita a Nova Déli. Mais tarde, os dois países assinaram o acordo de segurança, específico para a Índia, que Jim Mattis, o secretário da Defesa dos EUA, disse que significa que agora a dupla pode compartilhar “tecnologia sensível”.
A ministra da Defesa da Índia, Nirmala Sitharaman, disse que a cooperação militar se tornou o principal propulsor das relações EUA-Índia, que segundo ela estão sendo levadas “a um novo nível”. A Índia também concordou em realizar exercícios militares conjuntos em terra, mar e ar com os EUA no próximo ano.
A novidade ocorreu depois de conversas entre Mattis e Pompeo e seus homólogos indianos, Sitharaman e Sushma Swaraj, em Nova Déli. Jeff Smith, da Fundação Heritage, disse que o acordo foi um passo “significativo”, acrescentando que os EUA e a Índia previamente foram obrigados a se comunicar por canais de rádio abertos e a retirar certos sistemas criptografados de plataformas que os EUA haviam vendido à Índia.
Ele acrescentou que autoridades americanas passaram meses tentando convencer Nova Déli de que tais acordos facilitariam a cooperação – como a capacidade de reabastecer navios um do outro no mar –, e não a espionagem de Washington sobre a Índia.
O tenente-general Charlie Hooper, diretor da Agência de Cooperação de Segurança de Defesa dos EUA, que é responsável por vendas militares no exterior, disse que o país estava discutindo a venda de “muitos, muitos sistemas” para a Índia.
O general Hooper não especificou os sistemas em discussão, mas outra autoridade americana disse que a Índia buscava drones avançados, helicópteros e jatos de combate dos EUA. Déli já comprou aeronaves de transporte C-17, helicópteros Apache e Chinook, aeronaves de patrulha marítima e canhões M777 dos EUA.
As vendas de armas dos EUA à Índia aumentaram de quantidades desprezíveis há dez anos para US$ 15 bilhões no ano passado e deverão crescer para US$ 18 bilhões no próximo ano. Mas restam vários obstáculos no caminho.
As autoridades americanas querem garantir que a Índia, que compra a maior parte de suas armas da Rússia, não adquira o sistema de defesa aérea de mísseis S-400 de Moscou. Os dois lados também discutiram até onde a Índia cortaria suas importações de petróleo iraniano, assim como um possível papel maior da Índia em um nascente grupo “quádruplo” formado por EUA, Índia, Japão e Austrália.
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