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Edson Bündchen Os novos cruzados do obscurantismo

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O avanço civilizatório não é obra do acaso, mas de uma tensão constante entre o passado e o futuro, mediado pela ação humana. Nessa confrontação perpétua, muitos ficam à margem, alheios ao desenrolar da história, ordinariamente por falta de capacidade, até mesmo cognitiva, para capturar, processar e agir em relação aos fatos. Alguns, mais aquinhoados pela fortuna ou pela virtude, fazem escolhas, ponderam e, em alguns casos, agem. É dessa colisão entre o antigo e o novo, através da superação eterna de paradigmas e do esforço laborioso, que inéditas soluções emergem, que costumes mudam e se adaptam, e leis são criadas para espelhar esse novo espaço de convivência em comum, afinal, estamos falando de vida comunitária, de vida em sociedade. Poucas vezes, contudo, enfrentamos um desafio tão profundo em termos de mudanças culturais, demográficas e ambientais como hoje. Há um choque dramático e revelador, impulsionado pela maior revolução tecnológica da história, e que contrasta com um homem ainda acometido pelas sombras de sua caverna ancestral, frente a uma realidade virtual grandemente incompreendida. A nova arena dos gladiadores virtuais se encontra em construção, e suas bases estão sendo estabelecidas não da forma tradicional, mas pela força das palavras, on-line, em redes, na grande aldeia cibernética. O parto do futuro, portanto, é verbo proclamado, cuja tecitura traz a campo o melhor e o pior de todos nós, à velocidade da luz.

Nesse embate febril, deparamo-nos com a atualíssima cultura do cancelamento, fenômeno global e que expressa uma renovada feição do politicamente correto, ou incorreto, dependendo do ângulo de análise, ambas externalizando as pautas de conservadores e progressistas, que se encontram em acirrada contenda pela primazia da agenda cultural. Temas como gênero, raça e respeito à diversidade de forma geral, passaram a ser tratados como universais moldando, até certo ponto, legislações e comportamentos mundo afora. Exemplo manifesto e que espelha o poder do mainstream cultural progressista, foi o afastamento do jogador Maurício Souza, do Minas Tênis Clube, após declarações consideradas homofóbicas em sua rede social. A esquerda, no que se refere especificamente à condução dessa agenda dita, em tom crítico pela direita, globalista, tem conseguido obter um consenso mais amplo, e se apropriado melhor do tema, especialmente junto à grande mídia, mas não apenas nela. Como esperado, o Judiciário tem repercutido esse novo olhar para as questões globais, criando uma jurisprudência cada vez mais rigorosa contra o preconceito, em seus variados matizes. Além disso, um tratamento mais duro diante do ataque às instituições e defesa do Estado de Direito, também parece ter adquirido um novo status, especialmente após as manifestações do último dia 7 de setembro. Nesse sentido, o questionamento à legitimidade das eleições, e outros que afrontam à democracia, passam a sofrer uma vigilância mais severa. A matéria ganha mais atualidade e força com a decisão do STJ, de incluir as publicações das mídias sociais para efeito de produção de prova no uso de fake news, nas eleições do ano que vem. O grande teste, sem dúvida, será o início da campanha de 2022.

Com as redes sociais passando por um escrutínio mais rigoroso, os conservadores que tiveram grande parte de sua agenda sequestrada pelo extremismo dos novos cruzados obscurantistas, terão que reinventar seu processo de comunicação. O uso do ódio, de notícias falsas, e de teorias da conspiração como estratégia política, muito embora gerem engajamento, afrontam a Lei e devem ser combatidos. Esse perverso incentivo para profanar a verdade precisa ser superado pela recuperação dos ideais liberais, do respeito aos direitos humanos, da autodeterminação do indivíduo, e do direito à liberdade, situação que recolocaria a legítima direita liberal em condições de reequilibrar o necessário debate com a esquerda, muito acima da atual polarização sectária e contraproducente que assistimos atualmente.

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