Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 30 de abril de 2021
Mirando a alta temporada de verão, países do Hemisfério Norte discutem a retomada das viagens internacionais. Japão, Reino Unido, Israel e UE (União Europeia) estão entre aqueles que já implementaram seus “passaportes de vacinação”, ou se preparam para fazê-lo. Impasses logísticos, políticos e filosóficos, contudo, põem em xeque a viabilidade da medida e o turismo em escala global.
É a iniciativa europeia, que recebeu sinal verde do Parlamento do bloco nesta quinta-feira, que chama mais atenção, diante do desafio de unificar os padrões para que seus 27 países-membros recebam passageiros de dentro e de fora da UE. O plano é impulsionado por países mediterrâneos, cujas economias dependem do turismo – mais uma temporada perdida, afirmam, seria fatal para o setor.
O bloco deverá firmar nos próximos dias um contrato para a criação de sistema central para a verificação de certificados digitais de vacinação, que usará códigos QR. A UE designará ainda uma equipe para ajudar seus integrantes a criarem suas próprias ferramentas, mesmo que alguns já o façam por conta própria.
O sistema passará por testes neste mês de maio, com a expectativa de entrar em vigor no mês seguinte. Alguns países do Norte, mais ricos e menos dependentes do turismo, contudo, argumentam que o prazo é muito curto para aparar todas as arestas e que implementá-lo demandaria um esforço hercúleo.
A princípio – os debates ainda estão em curso – o certificado gratuito englobaria europeus já com as duas doses da vacina, com testes PCR negativos ou com anticorpos para a covid-19. Uma série de questões, contudo, impõe obstáculos à sua implementação.
Primeiramente, não há consenso médico sobre se os testes de anticorpos são provas suficientes para dizer se alguém que já contraiu a doença está imune, segundo fontes da agência de notícias Reuters que acompanham as negociações. O Parlamento Europeu defende ainda que os países do bloco sejam impedidos de criar restrições adicionais para quem tem o passaporte, carta que vários Estados-membros desejam ter nas mangas.
Como o plano tratará de visitantes estrangeiros também é outra questão: Em uma entrevista recente ao jornal The New York Times, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von de Leyen, disse que o bloco abrirá suas portas para americanos vacinados. Ela, no entanto, ressaltou que isso só será possível porque as vacinas usadas no país já foram aprovadas pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA), o órgão sanitário da UE.
Segundo fontes ouvidas pela agência Bloomberg, Bruxelas planeja “encorajar” os países-membros a aceitarem vacinas que receberam aval emergencial da Organização Mundial da Saúde, mas a decisão final deverá caber a cada país. Até o momento, a EMA deu seu aval apenas para as doses da Pfizer-BioNTech, da Moderna e da Janssen – as três usadas nos EUA – e para as doses da Oxford-AstraZeneca. Isso, portanto, deve significar que pessoas imunizadas com a Sinovac e com a Sputnik, por exemplo, deverão ficar de fora.
A seletividade traz à tona questões sociais e econômicas, com consequências para o turismo internacional e para os negócios. Teme-se não apenas o agravamento da desigualdade, com a marginalização ainda maior das nações pobres ou em desenvolvimento onde a vacinação caminha a passos lentos, mas também que os certificados sejam usados para acentuar disputas geopolíticas. As informações são do jornal O Globo e da agência de notícias Reuters.
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