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Geral Pandemia provoca nova “revolução sexual”, com aumento no consumo de pornografia

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Restrições impostas pela pandemia de covid impulsionaram novos hábitos sexuais. (Foto: EBC)

O desejo tem força e asas. Mas no meio do caminho teve a pandemia de coronavírus, que bagunçou o coreto do conceito. Modulou a força, aparou as asas, ergueu muros. Com a quarentena, deixar a imaginação fluir se tornou praticamente a forma mais segura de adequar o prazer aos novos protocolos. Mais de um ano depois, por onde caminha o desejo?

Enquanto o mundo foi se fechando, sites de filmes pornográficos abriram suas portas, com amostras de conteúdo gratuito para entreter os confinados, e aqueceram seus números.

A indústria de produções de “conteúdo adulto” teve que encaixar seu processo nos moldes do distanciamento social, diminuindo cenas com vários atores por conta do alto custo de testagem para Covid. Aplicativos de paquera, como Tinder e Happn, multiplicaram usuários em busca de um match para chamar de seu e registraram um sensível aumento na duração das conversas entre os adeptos.

O tema “hábito sexual em tempos de coronavírus” está no horizonte de uma pesquisa que envolve cinco universidades do País. Também pulsa em trabalhos exibidos num museu virtual criado para dar corpo às aflições da alma quarentenada.

“A sexualidade é algo lúdico, envolve ficção, tem regras, relação com o outro. Com o cotidiano modificado pela pandemia, muitas vidas foram empurradas para a abstinência. Isso é fator de risco para a saúde mental. O corpo está confinado, mas a fantasia, não. E, se você não encontra uma solução, enlouquece”, analisa o psicanalista Christian Dunker.

A busca por sanidade pode ser contabilizada. Os canais Playboy TV e Sexy Hot registraram aumento de 13,1% e 11,7%, respectivamente, no tempo médio assistido, entre setembro de 2020 e fevereiro de 2021, se comparado a meses pré-pandêmicos. Na internet, a curva segue o mesmo caminho, de alta. No primeiro bimestre deste ano, o site do Sexy Hot já superou em 33% as visualizações registradas em março e abril de 2020.

“Essa tendência de crescimento já vem ocorrendo nos últimos anos, porém, por conta da pandemia, tivemos um aumento de intensidade”, diz Cinthia Fajardo, diretora-geral do Grupo Playboy do Brasil, que administra o Sexy Hot.

Produtoras que, de início, não conseguiram surfar na onda do isolamento viram que o melhor era unir forças. Dez delas, incluindo Xplastic e SafadaTV, criaram em maio o streaming Quente Club.

“A pandemia mudou a forma de consumo. As pessoas estão dispostas a experimentar novos conteúdos”, diz Roy LP, diretor-geral da LFV, que administra a plataforma. A psicanalista Regina Navarro Lins acrescenta:

“O desejo faz parte da sexualidade, da vida das pessoas. Se as pessoas estão confinadas e não podem transar como gostariam, elas se masturbam, transam pela internet com alguém do outro lado ajudando na excitação ou recorrem a filmes pornôs. E eles estão melhorando, repensando o prazer feminino, incluindo mais erotismo. As pessoas acabam se sentindo mais seguras vendo a pornografia, e me refiro àquela que não é violenta, discriminatória”.

Tudo tem limite

O publicitário e músico I. D. (o nome foi mantido apenas em suas iniciais, por questões éticas), 38 anos, é uma dessas pessoas. Solteiro e fiel ao isolamento, ele diz que, na falta do mundo real, buscou o virtual: “Deixar de praticar sexo na vida real me fez recorrer aos filmes. Optava por vê-los mais no fim da noite. Em ‘home office’, é preciso estabelecer horários para tudo”.

Estabelecer limites também foi preciso. Mesmo com o mercado da fantasia aquecido, a pandemia levou as produtoras a reduzirem o número de lançamentos e a reverem protocolos.

O Sexy Hot, que tinha previsto lançar 24 filmes em 2020, restringiu essa conta para nove, sendo três gravados na quarentena. Para baixar os custos e seguir as novas regras de prevenção contra a Covid, algumas das saídas foram reduzir o elenco, evitando cenas de sexo em grupo, e gravar com atores que já são casados.

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