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Geral Papa ameaça excomungar grupo que quer ordenar bispos sem autorização

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Esta é a primeira vez que o novo pontífice faz uma ameaça com a punição mais severa da Igreja Católica. (Foto: Reprodução)

O Vaticano ameaçou de excomunhão um grupo católico dissidente, ligado à defesa da missa em latim, caso esse grupo insista em ordenar novos bispos sem a autorização do papa Leão XIV. Esta é a primeira vez que o novo pontífice faz uma ameaça com a punição mais severa da Igreja Católica.

O escritório doutrinário do Vaticano informou à Fraternidade São Pio X, sediada na Suíça, que qualquer ordenação de bispos sem o devido consentimento do papa configuraria um cisma, ou seja, uma ruptura formal com o pontífice.

A cerimônia planejada pelo grupo extremista, anunciada para julho, representaria “grave ofensa contra Deus e acarretaria na excomunhão prevista pela Igreja”, informou em comunicado o cardeal Victor Fernández, prefeito do Dicastério para Doutrina da Fé.

A Fraternidade São Pio X é um grupo ultraconservador que rejeita as mudanças introduzidas na Igreja por meio do Concílio Vaticano II – um encontro histórico de bispos, realizado nos anos 1960, que promoveu diversas reformas na Igreja Católica, entre elas a permissão para que a missa pudesse ser celebrada em idiomas locais e não mais somente em latim.

Pessoas excomungadas pelo Vaticano são consideradas totalmente apartadas da Igreja. Elas não podem mais receber sacramentos, como a comunhão, ou ocupar cargos religiosos. Caso morram, não têm direito a um funeral católico.

A Fraternidade São Pio X, que afirma ter 733 padres ao redor do mundo, mantém relações tensas com o Vaticano há décadas. O fundador do grupo, o arcebispo Marcel Lefebvre, foi excomungado em 1988 após ordenar quatro bispos sem autorização do então papa João Paulo II, que também foram excomungados.

O sucessor de João Paulo II, Bento XVI, tentou retomar o diálogo com o grupo dissidente e revogou as excomunhões feitas por seu antecessor. A atual liderança da fraternidade, porém, anunciou em fevereiro que pretende ordenar novos bispos em julho, mesmo sem aprovação do Vaticano, alegando necessidade de ampliar o número de líderes religiosos do grupo.

Ontem, o cardeal Fernández, como esclarecimento, publicou uma nova declaração sobre o caso, após levá-la ao conhecimento de Leão XIV, e, segundo ele, o papa quis expressar explicitamente sua vontade de seguir rezando para que se evite este novo ato cismático. “Reitero o que já foi comunicado. As ordenações episcopais anunciadas pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X não têm o correspondente mandato pontifício. Este gesto constituirá um ato cismático e ‘a adesão formal ao cisma constitui uma grave ofensa a Deus e acarreta a excomunhão prevista pelo direito da Igreja”, declarou. “O Santo Padre continua a pedir, em suas orações, que o Espírito Santo ilumine os responsáveis da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, para que reconsiderem a gravíssima decisão que tomaram.”

Em fevereiro houve um encontro entre o prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé e o superior geral da Fraternidade São Pio X, padre Davide Pagliarani, no prédio do Santo Ofício, com o objetivo de “evitar desentendimentos ou soluções unilaterais para as questões que surgiram”.

Os detalhes do encontro constam de um comunicado assinado pelo cardeal Fernández reiterando, entre outros pontos, que “a ordenação de bispos sem o mandato do Santo Padre, que detém o supremo poder ordinário, pleno, universal, imediato e direto, implicaria uma ruptura decisiva da comunhão eclesial (cisma), com graves consequências para a Fraternidade como um todo”. Portanto, “a possibilidade de se realizar este diálogo pressupõe que a Fraternidade suspenda a decisão sobre as ordenações episcopais anunciadas”. Na conclusão do documento, foi feito um pedido de oração “a toda a Igreja” para que acompanhe “esta caminhada, especialmente nos tempos vindouros, com orações ao Espírito Santo”, o “principal artífice da verdadeira comunhão eclesial desejada por Cristo”.

A Igreja Católica considera um princípio rígido que somente o papa pode autorizar a consagração de novos bispos, como forma de manter a ligação da Igreja com os 12 apóstolos de Jesus, considerados os primeiros padres e bispos.

A consagração sem consentimento papal gera excomunhão automática tanto para o bispo responsável pela cerimônia quanto para os ordenados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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