Quarta-feira, 27 de maio de 2026

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Brasil Para governistas, o procurador-geral da República usa os pedidos de prisão de executivos da JBS/Friboi para se fortalecer

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PGR identificou trocas de e-mails entre ex-procurador e uma advogada. (Foto: Reprodução)

Para líderes governistas, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, traçou um roteiro para tentar salvar sua imagem depois da reviravolta provocada pela descoberta de áudios omitidos por Joesley Batista. Na avaliação dos políticos, Janot, fragilizado politicamente, não teve outro caminho que não fosse pedir a prisão de Joesley e de Ricardo Saud, executivos do grupo J&F, e do ex-procurador Marcello Miller, seu ex-braço direito na PGR (Procuradoria-Geral da República).

O procurador-geral anunciou uma investigação sobre a possível omissão de crimes por parte dos executivos que não foram revelados durante o acordo de delação premiada entre a PGR e o grupo J&F, homologada em maio.

A retificação do depoimentos dos executivos, que pode culminar no cancelamento do acordo, é consequência da polêmica envolvendo o áudio de Joesley Batista, sócio do grupo, e Ricardo Saud, ex-executivo da empresa.

A JBS já considera que, com o episódio do áudio, terá, por exemplo, que aumentar o valor da multa acertada no acordo de delação. No acerto, os delatores da empresa se comprometeram a pagar um total de R$ 225 milhões. O montante foi considerado baixo considerando os ilícitos cometidos pelo grupo.

Entretanto, advogados e delatores têm insistido junto à PGR que a gravação não traz crimes e que não houve omissões, por isso o acordo deveria mantido, mesmo que com revisões

No áudio, Joesley afirmou que não recebeu orientações do ex-procurador Marcello Miller para negociar um acordo de delação, nem para gravar Temer no encontro no Palácio do Jaburu. Mas citou Miller algumas vezes e falou sobre o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, e os ministros do Supremo Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes.

Pressão
Rodrigo Janot vem sofrendo pressões por todos os lados. Durante a semana, ele denunciou ao STF a cúpula do PMDB no Senado pelo crime de organização criminosa. Os peemedebistas são acusados de receber R$ 864 milhões em propina e provocar um prejuízo de R$ 5,5 bilhões aos cofres da Petrobras e de R$ 113 milhões aos da Transpetro.

Os senadores do PMDB denunciados pela PGR contra-atacaram. Por nota, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) disse que a denúncia é uma tentativa de encobrir os “malfeitos” de Janot, e abafar a polêmica envolvendo a delação dos executivos do grupo J&F.

O senador Romero Jucá (PMDB-RR) disse acreditar na seriedade do Supremo Tribunal Federal (STF) ao analisar as denúncias apresentadas pelo PGR. Já o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) disse, em comunicado, que a acusação é injusta e que irá demonstrar sua inocência. Ele negou ter indicado dirigentes para diretorias da Petrobrás e Transpetro.

O advogado do senador Edison Lobão (PMDB-MA), Antônio Carlos de Almeida, disse que Janot demonstrou que “a questão dele” é contra políticos e partidos. A defesa de Sérgio Machado reitera que ele continua colaborando com a Justiça. O senador Jader Barbalho (PMDB-PA) disse que a denúncia é uma “cortina de fumaça” de Janot para “confundir a opinião pública, depois que ele beneficiou a J&F com imunidade processual”. O ex-presidente Jose Sarney não se pronunciou.

 

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