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Brasil Para sobreviver, sindicatos terão de se reinventar, dizem pesquisadores

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Mudanças no financiamento e na representação vão exigir atuação mais próxima das categorias. (Foto: Jaélcio Santana/ Força Sindical)

O fim do financiamento obrigatório é só um dos efeitos da reforma trabalhista sobre os sindicatos – e, se bem usado, pode fortalecê-los, defendem economistas que estudam o tema. “A reforma abre opções de escolhas estratégicas”, diz Hélio Zylberstajn, professor da USP e coordenador do Projeto Salariômetro da Fipe. “Se as escolhas forem tacanhas, nada muda. Mas, se entenderem que é um momento de mudança de paradigma, tudo pode melhorar.”

Promulgada em julho, a lei nº 13.467 passa a valer em novembro com pelo menos quatro efeitos diretos no mundo sindical. O primeiro é o fim do desconto de um dia de trabalho de todo empregado. Conhecido como imposto sindical, o recurso somou 2,6 bilhões de reais em 2016 (60% do descontado), fonte fundamental de manutenção das entidades mais fracas.

Para Sergio Firpo, professor do Insper, não contar com receita obrigatória levaria os sindicatos a atuar melhor: “Uma coisa é viver de mesada, outra é ter que trabalhar para se sustentar”. Uma das dificuldades para os sindicatos, porém, é que suas conquistas valem mesmo para os não sindicalizados -que são o que os economistas chamam de “free riders”, ou “caroneiros”.

“As conquistas valem para todos, mas só haverá conquistas se os sindicatos conseguirem se manter”, ressalta Firpo. “É como em um jogo: se cada um achar que o outro vai contribuir, ninguém contribui, e todos perdem”, diz Naercio Menezes Filho, também do Insper.

João Guilherme Vargas Netto, consultor de entidades de trabalhadores, discorda: “Ninguém defende a sério o fim do imposto”. Vargas Netto, que chama a nova lei de “deforma trabalhista”, diz que cortar as fontes de financiamento não é a melhor forma de combater sindicatos “de fachada”. (Ana Estela de Sousa Pinto/Folha de S. Paulo)

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