Domingo, 19 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 18 de julho de 2026
O partido Republicanos deve se manter independente na disputa presidencial com integrantes da cúpula nacional da sigla. A legenda conversava com o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) para uma eventual aliança, mas as tratativas estão emperradas.
Uma neutralidade nacional do Republicanos tem o potencial de travar também os palanques estaduais do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e indica, segundo dirigentes de demais partidos, a tendência de que mais siglas também optem pela independência na corrida ao Planalto.
Nos últimos meses, Flávio tem enfrentado sucessivas crises em sua pré-campanha, a começar pela sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, passando pela briga pública que o senador teve com a madrasta, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), à forma como ele vem lidando com o tarifaço americano às exportações brasileiras. Como resultado, a pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (15) mostrou que aumentou a distância entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que desponta na frente das intenções de voto.
Os abalos na pré-campanha também têm dificultado a formação de alianças no entorno do bolsonarista, admitem em caráter reservado integrantes do próprio PL. “O sistema está demonizando o nosso campo”, diz um dirigente.
A falta de apoio no âmbito nacional se reflete nos Estados. Em São Paulo, um dos aliados com os quais Flávio conta para a campanha é o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que deverá adotar uma postura de cautela. Segundo fontes da campanha do pré-candidato à reeleição ao Palácio Bandeirantes, Tarcísio tem agendas previstas com o bolsonarista, mas a expectativa da equipe é dosar as aparições conjuntas.
A expectativa da campanha do governador é que ele seja reeleito no primeiro turno uma vez que tem vantagem nas pesquisas e a disputa no Estado deve se afunilar entre ele e o pré-candidato do PT, Fernando Haddad. Sempre que questionado, Tarcísio responde que Flávio terá seu apoio, independentemente da posição do Republicanos, e nega um afastamento.
Em fevereiro, o governador paulista assumiu o papel de coordenador da pré-campanha de Flávio no Estado, mas, na prática, ele não tem exercido essa função de liderança em negociações partidárias ou atração de apoios. A justificativa de auxiliares é que Tarcísio está no exercício do cargo e só deve intensificar as atividades durante a campanha, que começa oficialmente em 16 de agosto.
Nos bastidores, aliados de Tarcísio avaliam que é Flávio quem precisa mais do governador. São Paulo é o maior colégio eleitoral do país, com 22% do eleitorado, e tem papel estratégico nas campanhas do PL e PT. Estrategistas consideram que o senador pode compensar a vantagem de Lula no Nordeste, caso abra uma margem de dez pontos no Estado.
Impacto no Rio de Janeiro
A neutralidade nacional do Republicanos também deve afetar o palanque de Flávio no Rio de Janeiro. Dirigentes do partido conversavam com o PL para uma eventual coligação, em meio às incertezas sobre a segunda vaga ao Senado na chapa do presidenciável. Quem ocupa o posto é o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União), mas sua participação no pleito foi posta em xeque após ele ficar quatro dias preso depois da Polícia Federal encontrar um fuzil em seu carro.
O Republicanos no Rio está dividido entre firmar ou não a aliança com Flávio. O partido hoje tem dois pré-candidatos ao governo do Estado — o ex-governador Anthony Garotinho e o ex-prefeito de Miguel Pereira André Português — e um postulante ao Senado, o deputado Marcelo Crivella.
Nas conversas com o PL, uma possibilidade seria Crivella entrar para chapa de Flávio no lugar de Canella. Contudo, nem mesmo na sigla bolsonarista há consenso sobre isso. Apesar de uma aliança fortalecer o presidenciável, dirigentes do PL avaliam que ter mais candidatos na disputa ao Executivo fluminense pode ser positivo para os planos estaduais da legenda, pelo potencial de estender a disputa contra Eduardo Paes (PSD) a um segundo turno — sobretudo se o postulante do Republicanos for Garotinho, que tem mais potencial de votos pelo recall que ainda mantém como ex-governador.
Segundo André Português, o partido deve apenas decidir o que fará na convenção da sigla, marcada para 25 de julho. “A decisão sobre quem será o candidato será feita entre o diretório estadual e o nacional”, diz o ex-prefeito, que promete dar palanque a Flávio: “Meu apoio é dele. Ele terá um segundo palanque no Rio, que será o meu.” Com informações do Valor Econômico.
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