Segunda-feira, 30 de Março de 2020

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Bem-Estar Pesquisa avança no tratamento de câncer de mama agressivo, o triplo-negativo

Estudo em laboratório conseguiu impedir que células tumorais cresçam, sobrevivam e migrem, evitando recidiva. (Foto: Divulgação/CNPEM)

Uma nova pesquisa traz esperança para o tratamento de um dos tipos de câncer de mama mais agressivos e que atinge as mulheres mais jovens: o triplo-negativo, subtipo que representa entre 15% e 20% dos tumores de mama. Em 2018, o Brasil registrou quase 59,7 mil novos casos de câncer de mama no total.

A descoberta do Laboratório Nacional de Biociências, publicada no Journal of Biological Chemistry, fornece uma estratégia sobre como impedir que as células desse tipo de tumor cresçam, sobrevivam e migrem, cortando as suas duas principais fontes de alimento: glutamina e ácidos graxos. Com isso, houve uma redução de 50% em termos de migração do câncer em relação ao controle.

“A gente explora alterações metabólicas nas células de câncer. O tipo triplo-negativo é muito dependente de um aminoácido, a glutamina. O que acontece se eu bloquear o consumo desse aminoácido? Conseguimos isso usando um inibidor que está na fase de estudo clínico nos Estados Unidos, sendo testado em pacientes, e deve ser aprovado como novo fármaco”, disse a pesquisadora Sandra Martha Gomes Dias, responsável pelo estudo in vitro. “O que chama a atenção é a redução da migração dessas células, aspecto que tem grande importância no tratamento, pois elimina as células que levam à recidiva”.

De acordo com Sandra, o problema é que o metabolismo da célula é muito moldável e, quando você bloqueia uma via, ela sobrevive por outra. Assim, um grupo dessas células passou a consumir mais ácidos graxos (gordura). A forma de inibir essa outra ação ainda vai exigir alguns anos de pesquisa.

Terapia alvo

A descoberta é importante porque pode, no futuro, ajudar médicos a direcionar a escolha de medicamentos. Atualmente, assim que uma paciente chega com diagnóstico de câncer de mama, é importante descobrir qual o subtipo dele para que o tratamento seja personalizado: são as chamadas terapia alvo.

O principal marcador para a diferenciação dos tipos de câncer são proteínas. Quando o tumor é do tipo triplo-negativo não há essa possibilidade porque ele não tem as três proteínas que são alvo dos tratamentos.

“Aí você já fica sabendo que não vai poder usar os melhores tratamentos que existem para câncer de mama e usa quimioterapia, que é mais abrangente, usada para vários tipos, mas que é um tratamento mais antigo, com mais efeitos colaterais. Ele afeta aspectos básicos da célula, como a capacidade de proliferar, mas acaba cortando também a proliferação das células normais de que você precisa”, destacou Sandra. O estudo vem sendo realizado há quatro anos no LNBio (Laboratório Nacional de Biociências), que faz parte do CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais).

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