Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 13 de abril de 2020
O Brasil passou dos 20 mil casos de Covid-19 oficialmente notificados nesta segunda-feira (13), mas no sábado (11) o número real de infectados já estava em torno de 245 mil, afirma um relatório produzido por um grupo interdisciplinar que inclui epidemiologistas e pesquisadores de outras áreas.
Os trabalho foi feito pelo projeto Nois (Nucleo de Operações e Inteligência em Saúde), que envolve PUC-Rio, Fiocruz, USP e outras instituições. Os pesquisadores montaram a estimativa a partir das taxas de letalidade da doença no País, calculada pelo número de morte dividido pelo número de casos.
A taxa de letalidade observada no País para os casos que já tiveram desfecho — pacientes que morreram ou já receberam alta — é de 16,3%, muito alta em relação a outros países onde já há estudos com casos bem documentados, dos quais cerca de 1,3% resultaram em óbito.
Isso não significa que a doença seja mais letal no Brasil, afirmam os pesquisadores, mas sim que o número real de infecções (incluindo os casos leves e assintomáticos) esteja muito acima daquelas notificadas.
Segundo os pesquisadores, o grande problema com os dados da Covid-19 no País é a falta de fits de testagem, sobretudo os de RT-PCR, que são mais confiáveis e detectam a presença do vírus em pacientes que já desenvolveram sintomas.
“A baixa capacidade de testagem pelo RT-PCR fez com que o Ministério da Saúde (MS) recomendasse que apenas os casos graves fossem testados. Ainda assim, nem todos os casos suspeitos deste grupo estão sendo examinados”, afirma o relatório dos pesquisadores. “Em São Paulo, onde está a maioria dos casos confirmados no País, apenas 24% do total de testes para Covid-19 foram entregues.”
Segundo os pesquisadores, a precariedade dos dados sobre a doença é, em si, um risco para o País.
“O elevado grau de subnotificação pode sugerir uma falsa ideia de controle da doença e, consequentemente, poderia levar ao declínio na implementação de ações de contenção, como o isolamento horizontal”, afirma o relatório do grupo.
Emergência
De acordo com o novo boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde, o Brasil tem seis unidades federativas em situação de emergência relativa à doença. Os Estados são: Amazonas, Amapá, Distrito Federal, Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo.
Para que um Estado esteja em situação de emergência, é preciso que a taxa de incidência da doença seja 50% maior que a média nacional. A taxa de incidência é medida pela quantidade de casos confirmados da doença por grupo de 1 milhão de habitantes. A média nacional é 111/1 milhão de habitantes.
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