Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 28 de julho de 2015
A descoberta dos primeiros planetas extrassolares, no início dos anos 1990, deu um grande impulso para o então emergente campo da astrobiologia – que une astronomia, biologia, química, física e outras disciplinas – e estuda as condições que permitiram o desenvolvimento da vida na Terra e como estas poderiam estar presentes em outros lugares no Universo. De lá para cá, cada vez mais cientistas se dedicam, direta ou indiretamente, a essas questões, inclusive muitos brasileiros.
Os resultados de suas pesquisas indicam que, de fato, os compostos básicos para a vida não só são abundantes como largamente produzidos e distribuídos no espaço por fenômenos naturais. Diante disso, para muitos especialistas é razoável supor que a vida, pelo menos nas suas formas mais simples como conhecemos, como bactérias e outros micro-organismos, seria comum no Cosmo, estando em quase todo lugar propício para que ela surja.
A mais recente descoberta no campo da astrobiologia foi anunciada pela Nasa (agência espacial americana): o planeta Kepler 452b está entre os mais parecidos com a Terra já detectados. Seria apenas 60% maior, e teria distância e órbita ao redor de uma estrela similar ao nosso Sol também muito parecidas. Isso sugere que sua temperatura não é nem tão fria, nem tão quente, o que permitiria a existência de água líquida em sua superfície. Na receita para o desenvolvimento da vida como a conhecemos, o ingrediente mais fundamental é justamente a água. Nossos próprios corpos são prova disso, compostos por 60% a 70% dela. Assim, não é por menos que “seguir a água”, isto é, saber de onde ela veio e como chegou em nosso planeta, foi um dos primeiros focos da astrobiologia.
Hoje, se sabe que as densas nuvens interestelares de gás e poeira, as “sementes” de novos sistemas estelares como o nosso, são ricas em água, e estudo divulgado em setembro do ano passado sugere que entre 30% e 50% da água em nossos oceanos seriam mais antigos que nosso próprio Sol. Já a tese principal sobre como ela chegou à Terra aponta para um intenso bombardeio de asteroides e cometas contendo grandes quantidades de água na infância do Sistema Solar, fenômeno já visto em outros sistemas planetários.
Fora de nosso planeta, mas ainda dentro do Sistema Solar, esta busca pela água se concentrou inicialmente em Marte. Hoje, inóspito, os cientistas acreditam que o planeta vermelho outrora já teve vastos oceanos onde a vida pode ter se desenvolvido. Professor da Universidade de Michigan (EUA), o cientista planetário brasileiro Nilton Rennó integra a equipe de pesquisadores que, com base em dados do veículo-robô Curiosity, confirmou em estudo publicado na revista Nature em abril que, dependendo da hora do dia, da época do ano e do local, água em estado líquido, na forma de salmoura, ainda corre pela superfície de Marte atualmente. E embora estas “águas de Marte” que fecham o verão do planeta sejam muito “salgadas” para sustentar organismos como conhecemos, sua presença é mais uma evidência de seu provável “passado úmido”.
Processos cósmicos.
Mas só água não basta. A vida como conhecemos é composta por moléculas orgânicas complexas, que têm por base ainda mais elementos, em especial carbono, nitrogênio, fósforo e enxofre. Por “sorte”, estes elementos também são comuns no Universo e podem ser combinados nestes tipos de moléculas por vários processos cósmicos naturais. Diante disso, é possível então ver o Universo como uma grande fábrica que talvez produza vida sempre que possível. “Pensando probabilisticamente, a vida é comum no Universo. Nosso Sistema Solar tem 4,6 bilhões de anos e temos evidências de que a vida bacteriana já existia na Terra há cerca de 3,8 bilhões de anos, isto é, logo depois de sua formação a vida já apareceu. O Universo tem quase 14 bilhões de anos, então, isso quer dizer que existem sistemas estelares mais antigos que o nosso. Se a vida começou cedo aqui, não é muito difícil imaginar que ela já tenha surgido em outro lugar”, diz Rennó. (AG)
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