Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 26 de janeiro de 2018
Temendo o pior cenário, o de que será decretada a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o PT já estuda uma saída jurídica para neutralizar a execução da pena na segunda instância.
Está em análise a possibilidade de a defesa de Lula apresentar um pedido de habeas corpus preventivo no STF (Supremo Tribunal Federal) depois do julgamento do recurso do embargo de declaração pela segunda instância.
Os petistas estão preocupados com o impacto político de uma eventual prisão de Lula e, por isso, querem fazer um movimento antecipado. Alguns ministros do STF contrários à execução da pena a partir de condenação em segunda instância já sinalizam que podem acatar o pedido do PT.
Existe uma ação na Corte que pode rever esse entendimento, estabelecido em 2016 em duas votações: em fevereiro, por 7 votos a 4; e em outubro, por 6 votos a 5.
A ação já foi liberada pelo ministro relator, Marco Aurélio Melo, para análise do plenário. Há uma pressão de parte dos ministros do Supremo para que a presidente da Casa, Cármen Lúcia, coloque a matéria na pauta.
Essa revisão da interpretação do Supremo sobre prisão a partir da segunda instância é aguardada por petistas que acreditam que a eventual prisão de Lula colocaria por água abaixo a estratégia do partido de usar a pré-campanha de Lula para alavancar a candidatura de Fernando Haddad, nome considerado o “plano B” do PT.
Plano B
Apesar do discurso oficial e do lançamento da pré-candidatura do ex-presidente Lula, caciques petistas já trabalham o nome do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad como “plano B” para a disputa pela Presidência da República. estratégia é desenvolver o “projeto Haddad” discretamente.
Diante do cenário de condenação, a estratégia de petistas é manter a candidatura de Lula até o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) impedir o ex-presidente de disputar o Planalto novamente, como preveem ministros da Corte.
Com isso, integrantes do partido esperam “radicalizar” o discurso, tendo Lula à frente da campanha, angariando o maior apoio possível.
A estratégia para tentar levar o ex-prefeito de São Paulo para o segundo turno da eleição já começa agora.
“O que vai acontecer com Haddad é a sutileza da aparição. Ele sempre estará ao lado de Lula no palanque. O ex-presidente já o colocou como coordenador do programa de governo dele e vem focando os seus discursos na educação justamente para começar a apresentar Haddad ao eleitor”, diz um interlocutor petista.
Outro nome que chegou a ser cogitado no partido foi o de Jaques Wagner. O ex-ministro da Casa Civil, atual secretário do governo da Bahia, deu sinais de que não vai arriscar a possibilidade de ficar sem mandato, devendo, assim, se candidatar ao Legislativo.
“O cercado do Jaques Wagner é a Bahia. Ele quer reeleger Rui Costa governador e garantir a sua cadeira no Senado”, afirmou um aliado.
Apesar de toda a estratégia já articulada nos bastidores, oficialmente o PT nega qualquer nome alternativo a Lula. Teme esvaziar o nome do presidente antes do tempo.
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