Quarta-feira, 17 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 8 de agosto de 2025
Após quase dois anos de guerra, o Gabinete de Segurança de Israel aprovou, na madrugada dessa sexta-feira (8), a proposta do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para ampliar a ofensiva militar e assumir o controle da Cidade de Gaza, no norte do enclave. A decisão veio em meio ao impasse nas negociações por um cessar-fogo e pela libertação dos reféns, contrariando as recomendações da cúpula militar israelense, que defendia um novo acordo em vez da escalada dos combates. Veja o que se sabe até agora.
– O que o plano prevê? Segundo comunicado do Gabinete de Netanyahu, o Exército se prepara para conquistar a Cidade de Gaza, cercada por áreas já controladas por Israel ou sob ordens de retirada. A ofensiva será gradual e acompanhada, segundo o governo, da distribuição de ajuda humanitária à população civil fora das zonas de combate. Apesar de o anúncio limitar-se à Cidade de Gaza, há a perspectiva de que também foram aprovadas, ainda que não anunciadas, operações subsequentes para além dessa área, já que a declaração pontua que o objetivo é “destruir (o grupo terrorista) Hamas”.
– Será uma ocupação? Na declaração alcançada após 10 horas de deliberações, o Gabinete de Segurança não usa o verbo “ocupar”, referindo-se, em vez disso, a “tomar o controle” da Cidade de Gaza. Segundo o portal israelense Ynet, a nomenclatura se deve a razões legais relativas à responsabilidade de Israel com relação aos civis em Gaza. Mas, ainda de acordo uma autoridade israelense ouvida pelo portal sob condição de anonimato, a distinção é um subterfúgio, já que a decisão de fato se refere a um controle militar total – ou seja, uma ocupação.
– Qual o prazo dado por Israel? O Gabinete israelense decidiu que os palestinos têm até 7 de outubro para sair da cidade – um prazo de aproximadamente dois meses e que coincide com o segundo aniversário do ataque de 7 de outubro de 2023. O plano prevê que, findo esse prazo, as Forças Armadas de Israel (IDF, na sigla em inglês) lançarão a ofensiva terrestre na cidade. Após a tomada completa de controle, em uma operação que deve durar três meses, os militares devem se direcionar para os campos de refugiados ainda não conquistados da região central do território palestino. No total, de acordo com o diário Israel Hayom, estima-se que levará sete meses para a finalização completa do plano.
– Quais são os objetivos declarados? O plano estabelece cinco princípios para encerrar a guerra: desarmamento do Hamas; devolução de todos os reféns, vivos ou mortos; desmilitarização de Gaza; manutenção de controle de segurança israelense sobre o território; e criação de uma administração civil alternativa que não envolva o Hamas, nem a Autoridade Nacional Palestina, o órgão rival apoiado pelo Ocidente que exerce controle limitado em partes da Cisjordânia ocupada.
– Por que a Cidade de Gaza é o alvo principal? Principal centro urbano do enclave, a Cidade de Gaza tem cerca de 800 mil habitantes e concentra infraestrutura política, econômica e social da Faixa. Controlar a Cidade de Gaza também é visto pelo governo israelense como essencial para degradar a capacidade operacional e a liderança do Hamas. A cidade é cercada por áreas já controladas por Israel, mas foi, até agora, evitada pelas operações terrestres de grande escala por abrigar zonas densamente povoadas.
– Israel pretende governar Gaza? Netanyahu afirma que não. Em entrevista à rede Fox News, o premier disse que não quer manter o enclave sob administração direta de Israel, mas entregá-lo a “forças árabes” que governem “corretamente” e sem ameaçar o país. Segundo ele, a tomada de controle garantiria a segurança israelense e removeria o Hamas do poder.
– Quais áreas de Gaza estão atualmente sob controle israelense? O Exército afirma controlar 75% do território, sobretudo posições ao longo da fronteira. A ONU estima que cerca de 86% da Faixa esteja militarizada ou sob ordens de retirada. A principal área fora do controle de Israel se estende da Cidade de Gaza até Khan Younis, incluindo campos de refugiados.
– Quais podem ser as consequências para a população de Gaza? A ONU estima que o território precisa de pelo menos 600 caminhões de ajuda por dia para atender às necessidades básicas – atualmente, entram entre 70 e 80, após inspeções demoradas e com carga restrita. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, mais de 61 mil palestinos morreram desde o início da guerra, em sua maioria civis. Moradores temem que a ampliação das operações terrestres aumente o número de mortos e agrave as condições já críticas, com milhares vivendo em tendas, abrigos improvisados ou prédios destruídos. As informações são do jornal O Globo e de agências internacionais de notícias.
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