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Mundo Polícia alemã desmantela plano de extremistas antivacina para assassinar governador da Saxônia

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O estado governado por Michael Kretschmer tem a menor taxa de vacinação anti-Covid do país. (Foto: Reprodução/Twitter)

A polícia alemã realizou buscas na quarta-feira (15) para desmantelar um potencial plano de extremistas antivacina para assassinar o premiê regional (cargo equivalente a governador) da Saxônia, Michael Kretschmer, acentuando preocupações com o radicalismo do movimento. Segundo o recém-empossado chanceler Olaf Scholz, o país não vai tolerar uma “minoria de extremistas desinibidos” que protesta contra a imunização anti-Covid e atrapalha o combate à pandemia.

De acordo com a polícia estadual da Saxônia, buscas foram realizadas em cinco pontos na cidade de Dresden e em outra propriedade no município vizinho de Heidenau. Via Twitter, os policiais disseram que integrantes do grupo Dresden Offlinevernetzung (Rede Off-line de Dresden), no aplicativo de mensagens Telegram, indicaram em conversas que teriam armas de fogo e arcos e flechas que poderiam ser usados para atos violentos. A polícia confiscou as armas na operação desta quarta e indicou que cinco homens e uma mulher entre 32 e 64 anos – todos alemães – foram alvo da operação.

As autoridades haviam anunciado há uma semana que investigavam “ameaças críveis” da extrema direita contra Kretschmer, cujo estado tem a menor taxa de vacinação anti-Covid do país e um dos maiores índices de infecção. O plano, desvendado em uma reportagem da emissora pública ZDF, é diretamente relacionado às políticas públicas de combate à pandemia e à defesa que o premier regional faz da vacinação.

Jornalistas do programa de televisão Frontal se infiltraram no grupo de Telegram em que os 130 integrantes compartilhavam teorias da conspiração sobre a pandemia e se organizavam contra as vacinas, o estado e as políticas públicas para conter a crise sanitária. Em mensagens de voz, alguns deles instavam as pessoas a “usar armas, se necessário” contra Kretschmer e outros membros do seu governo. Segundo um comunicado da polícia da Saxônia, “planos de assassinato” foram discutidos “tanto no grupo de mensagens como em encontros não virtuais”.

As ameaças foram consideradas suficientemente críveis para que a unidade antiterror da polícia da Saxônia especializada em extrema direita investigasse mais a fundo. As autoridades ainda não detalharam o que foi encontrado na operação desta quarta-feira, realizada em conjunto com forças especiais, ou se houve presos.

Há apelos também para que o Telegram seja removido das lojas de aplicativo da Apple e da Google caso continue a ignorar as solicitações para ajudar a rastrear conteúdos extremistas. A plataforma, que se apresenta como alternativa às redes sociais mais populares, diz que não se curva à “censura governamental”, mas ainda não comentou especificamente o caso alemão.

Popular entre a oposição de países com regimes autoritários, o aplicativo vem se tornando mais popular na Alemanha conforme redes como o Facebook e o Twitter apertam o cerco a conteúdos violentos:

“O que está acontecendo nos grupos e canais no Telegram viola as regras da Apple e da Google”, disse Boris Pistorius, ministro do Interior da Baixa Saxônia. “Nós devemos urgentemente falar com eles e persuadi-los a parar de distribuir o Telegram.”

Até o momento, 69,06% dos alemães tomaram as duas doses da vacina anti-Covid, e 72,06% receberam ao menos um inoculante. Enquanto na região de Bremen mais de 85,1% da população já completaram seu ciclo vacinal, na Saxônia, os totalmente vacinados são apenas 59,1% – a única região que não chegou a 60%.

A operação de quarta ocorre em meio à quarta onda de Covid-19 no país, que antecede a chegada da nova variante Ômicron. O pico foi no final de novembro, quando em média 58 mil alemães eram diagnosticados diariamente com a doença. Desde então, os casos caíram para 45,9 mil, número ainda assim superior aos dos surtos anteriores. A média móvel de mortes é hoje de 376, com sinais de queda.

A necessidade de controlar os casos, associada às incertezas ao redor da Ômicron – que deverá ser dominante no continente europeu até o meio de janeiro, segundo estimativas da União Europeia –, fez o governo anunciar no último dia 2 medidas de restrição para quem recusa as vacinas. As regras, na prática, são similares às de uma quarentena.

Quem não tomar as doses poderá apenas ter acesso ao comércio essencial, sendo barrado de bares, restaurantes ou espaços de culto e lazer, por exemplo. Também foi anunciado que o governo apresentará um projeto de lei estabelecendo a vacinação obrigatória para funcionários da saúde e de asilos, por exemplo, a partir de 16 de março.

Desde então, os protestos antivacina no país subiram de tom, com ameaças e ataques contra médicos, políticos e jornalistas. Na terça, o canal ARD relatou que mais de dez políticos, instituições públicas e veículos da imprensa receberam cartas ameaçando uma “resistência sangrenta” contra as medidas, acompanhada de um pedaço de carne pingando sangue. As informações são do jornal O Globo e de agências internacionais de notícias.

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