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Brasil Polícia Federal investiga suposto envolvimento de Lula com venda de MPs

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O ex-presidente é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro (Foto: Divulgação)

Ofício escrito pelo delegado da Polícia Federal Marlon Cajado explica para a Justiça Federal a necessidade de se abrir um novo inquérito – o 1621, de 2015 – para apurar suposto envolvimento de outros oito “servidores públicos”, entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no esquema de suspeita de venda de medidas provisórias investigado na Operação Zelotes.

O advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, criticou a medida adotada pelo delegado. “Nada justifica a conduta do delegado federal Marlon Cajado ao afirmar que o ex-Presidente Lula seria investigado no Inquérito 1621/2015. O ex-presidente foi ouvido no dia 6 de janeiro na condição de informante, sem a possibilidade de fazer uso das garantias constitucionais próprias dos investigados. Não há nenhum elemento que justifique a mudança do tratamento”, afirmou por e-mail. Até agora, Lula deu informações à Operação Zelotes somente como forma de colaboração. O Instituto Lula, que o representa, vem dizendo que ele não é investigado ou testemunha.

O documento, com data de terça-feira (2), é uma explicação do policial ao juiz Vallisney de Souza Oliveira, titular da 10ª Vara Federal de Brasília. Cajado contesta a reclamação de alguns advogados de acusados sobre a existência de um “inquérito paralelo” na Zelotes sobre o mesmo fato.

“Não há paralelismo. […] O que de fato acontece é que uma investigação criminal pode ocorrer em mais de um procedimento policial e judicial”, diz Cajado.

O delegado explica que há suficientes indícios contra dois funcionários públicos – Fernando César de Moreira Mesquita, servidor do Senado, e Lytha Battiston Spíndola, então assessora especial da Casa Civil – mas seria necessário mais tempo para apurar outras eventuais participações.

Cajado afirma ainda, no ofício, que o inquérito é necessário para saber se houve o envolvimento efetivo de outros servidores.

Além de Lula, ele cita o nome de Erenice Guerra, ex-ministra da Casa Civil no governo do ex-presidente, e Gilberto Carvalho, ministro no governo Lula e no primeiro mandato do governo Dilma Rousseff.

“Os demais documentos juntados aos autos apontam para eventuais colaborações de outros servidores públicos para a consecução dos interesses da organização criminosa, e, buscando-se evitar conclusões precipitadas, fez-se necessário a instauração de novo procedimento policial expediente [para] tentar alcançar a verdade real sobre os fatos apurados, isto é, se outros servidores públicos foram de fato corrompidos e estariam associados à essa organização criminosa ou se estariam “vendendo fumaça”, vitimando-os e praticando tráfico de influência em relação aos mesmos, a saber: Erenice Guerra, Dyogo Henrique de Oliveira, Nelson Machado, Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, Helder Silva Chaves, Ivan João Guimarães Ramalho e Miguel João Jorge Filho, entre outros”, diz o delegado no ofício.

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