Terça-feira, 11 de Agosto de 2020

Porto Alegre
Porto Alegre
13°
Cloudy

Mundo Por causa do surto de coronavírus, empresas da China estão sem receita e sem crédito

Compartilhe esta notícia:

Dificuldades financeiras têm levado a demissões e atrasos em pagamentos de salários e empréstimos. (Foto: Reprodução)

Em meio ao surto de coronavírus, a China ainda enfrenta dificuldades de retomada de sua economia, reflexo da prorrogação do feriado do Ano Novo Lunar (25 de janeiro) para conter o avanço dos casos de infecção. Empresas locais relatam dificuldades financeiras que têm levado a demissões e atrasos nos pagamentos de salários e empréstimos. E a tentativa do governo chinês de incentivar o crédito não tem chegado às companhias.

O banco central do gigante asiático informou que ajudaria nos esforços contra o vírus, ampliando crédito, com empréstimos e taxas de juros favoráveis para empresas prejudicadas pelas ações tomadas para controlar a epidemia. Os bancos, porém, têm mostrado pouca disposição a renegociar débitos, apesar das iniciativas das autoridades de Pequim, o que poderia levar ao fechamento de várias companhias.

E o crédito é apenas uma das medidas tomadas pelas autoridades do país para tentar resolver parte da dificuldade de retomada das empresas após quase 30 dias de atividades suspensas. Outras são o aumento de compras governamentais e a liberação de estoques estatais.

Pesquisa realizadas pelas Universidades de Pequim e de Tsinghua mostrou que 34% dos gestores de quase mil pequenas e médias empresas consultadas disseram que poderiam sobreviver por um mês com o fluxo de caixa atual. Já um terço disse que poderia durar dois meses, enquanto 18% disseram que poderiam durar três meses.

Na semana passada, o governo prometeu evitar demissões em larga escala, pedindo a autoridades locais para ajudar a estabilizar os empregos recorrendo a pagamentos de seguros-desemprego e outros fundos semelhantes. Ainda assim, a autoridade monetária da China projeta que o impacto do coronavírus sobre a economia do será limitado, pois a epidemia não mudou os fundamentos econômicos do país.

A diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Kristalina Georgieva, afirmou que a doença provavelmente reduzirá o crescimento econômico da China este ano para 5,6%, uma queda de 0,4 ponto percentual em relação às perspectivas de janeiro. A projeção para o PIB mundial passou de 2,9% para 2,8%.

Economistas têm no radar o impacto econômico causado pelo surto da Sars, em 2003, que também afetou a China. No entanto, o aumento da dependência que outras economias têm do país asiático coloca projeções sob questionamento.

Participação mundial

Hoje a China representa quase um terço do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) global, contra cerca de 3% no ano 2000. No período de 2000 a 2017, a exposição da economia mundial à China triplicou, segundo estimativas do Instituto Global McKinsey. Fabricantes em todo o mundo estão ligados ao país pelos tentáculos de uma rede de suprimento que conta com matérias-primas de fábricas para produção de bens acabados e intermediários.

Autoridades e os economistas advertem que um fechamento chinês prolongado poderá paralisar a manufatura global e custar ao mundo até US$ 1 trilhão (R$ 4,4 trilhões) em produção perdida. “A situação atual é mais séria do que pensávamos”, disse o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, na terça-feira (18). “Precisamos tomar medidas de emergência nesta época de emergência.”

Desde o fim dos feriados estendidos, grandes centros industriais da China estão começando a diminuir as restrições de circulação de pessoas e ao tráfego. Os governos locais também estimulam as fábricas a reiniciar a produção, após semanas de paralisações. Mas muitas indústrias não conseguiram receber matérias-primas ou enviar produtos a clientes durante a suspensão de atividades e isso trava a retomada.

O Ministério do Comércio chinês informou que mais medidas estão sendo estudadas para apoiar as empresas que sofrem com atrasos na reabertura de negócios e questões de logística. O surto também causou pressão considerável no segmento de serviços, especialmente em turismo e transporte, segundo o ministério chinês.

Em relatório, o banco Morgan Stanley afirma que a produção está sendo retomada em ritmo lento na China e deve atingir de 60% a 80% dos níveis normais até o final de fevereiro, normalizando de meados até o fim de março.​

Print Friendly, PDF & Email

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Mundo

Uma pesquisa indica que quase metade das empresas brasileiras de construção civil não investem em inovação
O partido de Angela Merkel sofreu duas derrotas eleitorais na Alemanha
Deixe seu comentário
Pode te interessar