Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 26 de fevereiro de 2018
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
O governo federal, a 26 de fevereiro de 1988, anunciou as primeiras medidas para conter o déficit público, criando limites de endividamento para Estados, municípios e empresas estatais.
Não adiantou. Desde então, manteve-se o quadro entristecedor com descaminhos pelos quais escorregou a gestão pública. Passados 30 anos, fica demonstrado que irresponsabilidade no Brasil têm diretrizes.
Gastar, gastar
Luiz XV, que reinou na França de 1715 a 1774, foi o autor da célebre frase “depois de mim, o dilúvio”, que se tornou símbolo do desleixo na gestão pública. Sem pagar direito autoral, políticos brasileiros adotaram o lema. Gastam como se não houvesse amanhã e a necessidade de pagar no futuro.
Prova é o total da dívida pública no país que ultrapassa 4 trilhões e 500 bilhões de reais.
Que benefícios o rombo trouxe à população?
Muitos picadeiros
O crescimento incessante da dívida pública transforma as secretarias da Fazenda em circos de acrobacias.
O que está evidente
A relação entre o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e os governos estaduais se resume a dois movimentos: sorrisos e caneladas.
Cobrança injusta
Sai governo, entra governo e o cenário não muda: os tributos sobre o consumo representam mais da metade do total arrecadado pelos cofres públicos.
Atingem, fortemente, os mais pobres que gastam quase tudo nas compras do dia a dia.
Vai correr o risco
O deputado estadual Marcel van Hattem deixará amanhã o PP para concorrer à Câmara dos Deputados pelo Novo. Seu desafio será obter quociente eleitoral, determinado pela divisão do total de votos válidos apurados por todos os partidos pelos lugares a serem preenchidos.
Em 2010, a candidata Luciana Genro atingiu 129 mil e 501 votos. Mesmo com a soma da legenda e de outros candidatos do PSOL, ficou abaixo do mínimo exigido para se eleger deputada federal.
Distorções
Candidatos se preocupam: com apenas um clique, são citados em versões falsas via redes sociais. Rapidamente, chegam a outras milhares de pessoas.
Área do perigo
Doações de campanha tornaram-se o berço que embala a corrupção, infestando os poderes públicos. A legislação vai fechando o cerco, mas os protagonistas não deixam de arriscar na esperança de não serem flagrados.
Sem mistério
O nó que amarra a reforma política nunca foi desatado. Motivo simples: não há interesse. O máximo que governantes, parlamentares e líderes partidários fazem é seguir o ditado que lhes serve: deixa como está para ver como fica.
Voto de protesto
Em várias capitais, está sendo articulada propaganda intensa da candidatura do Mosquito a vários cargos, numa referência à febre amarela que assusta o País.
Em 1988, com a cédula de papel, era possível escrever o nome do candidato. O Macaco Tião, conhecida no Jardim Zoológico, foi lançado à Prefeitura do Rio de Janeiro. Obteve mais de 400 mil votos. Consta do Guinness, livro mundial dos recordes.
Reino da impunidade
Os jornais de 26 de fevereiro de 1987 noticiaram um dos maiores escândalos do País: o governo federal interveio por prazo indeterminado em cinco bancos estaduais: de Santa Catarina, do Rio de Janeiro, do Maranhão, do Ceará e do Mato Grosso. Estavam quebrados em consequência de más gestões que incluíram a concessão de empréstimos a afilhados políticos. Acabaram passaram o calote.
Para socorrê-los, o governo tirou dinheiro do Tesouro Nacional. Quer dizer, a conta foi paga com a arrecadação de impostos. Nenhum dos criminosos enfrentou julgamento.
Situação indigesta
Prefeitos e governadores devem organizar o PAD (Partido dos Administradores de Dívidas). O prato principal para o primeiro encontro está escolhido: Crise ao Molho Pardo.
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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