Domingo, 14 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 11 de julho de 2021
Fazia dez anos que o produtor rural e agrônomo Guilherme Pinezzi Honório, dono da agropecuária Agro Oeste, da região do Vale do Araguaia, no Mato Grosso, não comprava terras. Com 11,3 mil hectares ocupados com soja, milho, gergelim e pastagens, ele decidiu expandir o negócio em março deste ano. Adquiriu duas áreas de pastagens. Uma de 750 hectares e outra de 2,5 mil hectares nos municípios de Serra Dourada (MT) e São Félix do Araguaia (MT).
Honório foi às compras no momento em que as terras agrícolas atingiram a maior cotação média em 20 anos no País. A alta foi de quase 18% nos preços médios em 12 meses até abril, segundo pesquisa da consultoria IHS Markit, que acompanha o mercado de terras para o agronegócio em 133 regiões do Brasil desde 2001. O levantamento se baseia em informações de corretores sobre negócios fechados, dados das secretarias da agricultura, cooperativas e avaliação patrimonial feita por peritos.
“Paguei 25% a mais do que pretendia, mas achei que seria o momento de comprar para não ter de pagar mais caro ainda no futuro”, diz Honório. Ele conta que já tinha planos de expandir a área e que não foi levado pelo “efeito manada” – quando a maior parte do mercado, por impulso, caminha para a mesma direção e inflaciona os preços.
O produtor considera que o momento permitiu a decisão porque os seus produtos – soja, milho e bovinos – estão muito valorizados. Além disso, com o juro básico, a Selic, ainda em nível baixo comparado a anos recentes, ele conseguiu obter crédito rural para custeio tendo uma despesa financeira menor. Com isso, pode usar os recursos próprios para adquirir terras.
Juro baixo, demanda crescente por grãos e carnes que elevaram os preços desses itens no mercado internacional, especialmente com a pandemia, e dólar em alta criaram uma tempestade perfeita para a forte valorização das terras agrícolas.
Leydiane Brito, analista da consultoria IHS Markit e responsável pela pesquisa, observa que o mercado ficou estagnado por um longo período, desde 2014.
Com boom das commodities agropecuárias a partir de 2020 e avanços na infraestrutura, como a pavimentação da BR-163 no Centro-Oeste e projetos ferroviários, como o Ferrogrão, que liga o Mato Grosso ao Pará, os negócios de compra e venda voltaram a acontecer, e o preço da terra subiu.
“Todas as terras aumentaram de preço”, afirma o consultor André Pessoa, sócio da Agroconsult. Mas ele observa que restrições ambientais que dificultam a abertura de novas áreas de mata provocaram uma valorização maior em regiões maduras de produção.
Terras para grãos
Segundo a pesquisa, a maior alta de preço ocorreu nas terras para grãos, as mais caras, que aumentaram quase 30% em 12 meses até abril na média do País. Na sequência, estão as áreas para café e florestas plantadas, cujos preços tiveram elevação de 14% no período, seguidas pelas pastagens (11,5%) e cana de açúcar (10%). Com agronegócio consolidado, o Paraná é o Estado com hectare mais caro para grãos, valendo, em média, quase R$ 50 mil. Em Cascavel (PR), área consolidada e em produção, o valor vai de R$ 80 mil a R$ 100 mil, por exemplo.
Rondonópolis e outras cidades do Mato Grosso, como Tangará da Serra, Sinop lideram o ranking de alta, com avanços na casa de 60% a 70% em 12 meses nas terras para grãos. Mato Grosso também aparece na dianteira nas pastagens, com alta de 81% no valor do hectare em 12 meses. De 30 municípios com maior valorização de terras para grãos e pastagem, o Mato Grosso lidera com mais da metade das cidades.
“O que a gente tem mais observado são produtores investindo em áreas de pastagens degradadas para transformá-las em áreas de lavoura”, afirma Leydiane. Foi o que Honório fez. “Comprei áreas de pecuária com a possibilidade de conversão para lavoura”, diz o produtor, lembrando que desta forma não há desmatamento.
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