Domingo, 14 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 1 de setembro de 2021
O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, capitaneou a resistência dos bancos públicos contra a adesão da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) ao manifesto de mais de 200 entidades pela harmonia entre os poderes que seria divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a Fiesp.
Segundo relato de seis pessoas envolvidas na crise, Guimarães telefonou para presidentes de pelo menos duas instituições financeiras e sugeriu que eles poderiam ser excluídos de negócios com o governo – como mandatos para representação ofertas de títulos e ações de empresas públicas na Bolsa de Valores – caso assinassem o documento.
A Caixa tem planos de privatizar sua área de gestão de cartões e prepara também uma oferta pública de ações da bandeira ELO, sociedade da Caixa com Bradesco e Banco do Brasil. Nesse tipo de negócio, os bancos privados são contratados para vender as ações na bolsa e para grandes fundos, recebendo comissão.
Outro negócio que os bancos privados têm muito interesse em intermediar são as vendas em bloco de lotes de ações de empresas hoje nas mãos do BNDESPar – como a Petrobras, por exemplo.
Em uma das conversas, Guimarães também disse a um banqueiro que ele poderia acabar sendo excluído de transações com a Petrobras se insistisse em assinar o documento. Em outra ligação, na última sexta-feira (27), fez questão de dizer que estava ao lado do presidente Jair Bolsonaro, que cumpria uma programação oficial em Goiás.
E não parou por aí: para reforçar o tom de intimidação, Guimarães ainda citou o Exército. Disse que os militares estão com Bolsonaro e não permitirão que ninguém da família do presidente seja preso, em caso de eventual ordem vinda do STF.
Foi de lá, inclusive, que Guimarães avisou o ministro da Economia, Paulo Guedes, do propósito da Caixa de deixar a Febraban em protesto contra o manifesto.
A publicação foi suspensa pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, depois de conversa com o presidente da Câmara, Arthur Lira, e sem comunicar aos demais signatários do documento. No fim de semana, a Caixa e o Banco do Brasil ameaçaram deixar a entidade.
Dentro da Febraban e do próprio governo, o discurso de Guimarães vem sendo bem mais enfático. Aos contrapartes que representam os bancos privados, ele tem reclamado de uma ação ideológica dirigida contra Bolsonaro.
Tem questionado, também, porque nunca na história da federação houve iniciativa parecida. Nessas ocasiões, sempre menciona o fato de que a Febraban não se manifestou contra a corrupção revelada no caso do petrolão e ou sobre os prejuízos causados à Caixa durante o governo Dilma Rousseff.
A outros integrantes do primeiro e do segundo escalão, Guimarães vem dizendo que a Febraban está aparelhada por opositores de Bolsonaro e que não faz sentido participar de uma entidade que ataca frontalmente o governo.
A discussão na Febraban em torno da elaboração de um documento público de apoio à democracia começou depois que o presidente Bolsonaro apresentou ao Senado um pedido de impeachment do ministro do Supremo Alexandre de Moraes, no dia 20 de agosto.
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