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Geral Presidentes da Câmara e do Senado bloqueiam avanço de projetos de interesse da Casa Legislativa vizinha, aumentando a cisão entre eles

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Arthur Lira (E) e Rodrigo Pacheco (D) já direcionam seus esforços para as eleições de 2026. (Foto: Câmara dos Deputados)

Após iniciarem o ano em pé de guerra sobre quem teria mais influência sobre a tramitação de Medidas Provisórias, os presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), protagonizam nova queda de braço nos bastidores envolvendo projetos que ficam travados em uma das Casas. Um movimento iniciado por senadores tem deixado na gaveta iniciativas patrocinadas por Lira. Já aliados de Pacheco reclamam que deputados seguram propostas por longos períodos, deixando-os sem tempo para debatê-las. Procurados, Pacheco e Lira não quiseram comentar o assunto.

A crise entre as duas casas legislativas foi evidenciada na semana passada, após a Câmara desistir de votar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Anistia, que prevê perdão de multas a partidos por falhas na prestação de contas, além de livrá-los de responsabilidade pelo não cumprimento das cotas de gênero e raça. O motivo foi a avaliação de que não valia a pena o desgaste de aprovar uma medida impopular sem a garantia de que também passaria pelo Senado.

A decisão de suspender a votação da PEC ocorreu após o vice-presidente da Câmara, Marcos Pereira (Republicanos-SP), ligar para Pacheco para sondar se a proposta seria aprovada rapidamente pelos senadores. Na conversa, o presidente do Senado disse que não conhece o texto e não assumiu o compromisso de aprová-lo a tempo de valer nas eleições de 2024 – para isso, precisaria ser promulgado até a próxima sexta-feira.

“Não vamos votar uma PEC aqui (Câmara) que é cheia de polêmicas e problemas e só gastar cartucho, para chegar lá (no Senado) e não votar”, disse o líder do PT na Câmara, Zeca Dirceu (PR). “A Câmara só vai votar se o presidente do Senado garantir que vota também”, fez coro o líder do PL, deputado Altineu Côrtes (RJ).

A reclamação dos deputados tem como base o que já havia acontecido com ao menos outras duas propostas recentes. Há duas semanas, após a Câmara aprovar a toque de caixa a chamada minirreforma eleitoral, que atenua punições a políticos e partidos, Pacheco lançou um balde de água fria nos deputados ao anunciar que não iria votá-la tão cedo.

O mesmo já havia ocorrido com o projeto que criminaliza a “discriminação” contra políticos, votado em junho na Câmara após um arranjo promovido por Lira para aprová-lo de forma célere. Três meses depois, Pacheco nem sequer escalou um relator para o texto.

Na mesma linha, Lira também já enviou sinais de que não deve levar adiante um projeto de Pacheco que regulamenta a Lei do Impeachment. Um dos pontos da proposta estabelece um tempo limite para que o presidente da Câmara se posicione sobre pedidos de impeachment, o que, na prática, impede que as solicitações fiquem na gaveta e sejam usadas como instrumento de pressão.

Relator do texto, o senador Weverton Rocha (PDT-MA), que é aliado de Lira, diz que a previsão é aprovar o projeto ainda em outubro para enviá-lo à Câmara.

“O Senado vai fazer sua parte”, afirmou ele.

Um dos panos de fundo para a queda de braço entre deputados e senadores ainda é a discordância sobre as MPs. Embora o momento seja menos grave que no início do ano, quando Pacheco e Lira pararam de se falar, a disputa continua intensa.

No papel, o Senado venceu a batalha com a volta das comissões mistas, formada por senadores e deputados. Na prática, porém, Lira tem conseguido derrubar as MPs mais importantes e tratar temas de interesse do governo por meio de projetos de lei, que começam a tramitar na Câmara, dando a ele mais influência sobre o texto final.

Exemplos disso são as medidas que tratam do programa Desenrola, de renegociação das dívidas, e a taxação de offshores e fundos exclusivos.

No caso do Desenrola, senadores se incomodaram com a exigência de Lira de não votar via MP e transformar em projeto, colocando em risco a continuidade do programa caso o texto não seja aprovado amanhã. As MPs entram em vigor imediatamente, mas têm um prazo para serem confirmadas pelo Congresso.

Embora tenha se acentuado no início deste ano com a disputa sobre a tramitação das MPs, o que chegou a paralisar a pauta do Congresso e acender o sinal amarelo no Planalto, a falta de sintonia entre Lira e Pacheco no comando das duas Casas é anterior. Em 2021, por exemplo, os deputados aprovaram a volta das coligações em eleições proporcionais, o que favorece a multiplicação de siglas de aluguel. Pacheco chamou a iniciativa de “retrocesso” e a matéria foi rejeitada pelo Senado. Outra divergência foi quanto ao projeto de legalização do jogo, aprovado em fevereiro do ano passado com o empenho de Lira, mas parado até hoje na Casa vizinha. As informações são do jornal O Globo.

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