Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 23 de abril de 2018
O PT lançou nesta segunda-feira (23) uma nova campanha nacional de filiação, intitulada “Sou Lula, sou PT”. A sigla decidiu estimular adesões após constatar que o número de ingressos espontâneos foi impulsionado pela prisão do petista.
Desde que o ex-presidente foi detido, há 15 dias, 3.230 pessoas se registraram na legenda – quase 30% do total de 11 mil inscrições contabilizadas desde janeiro. A operação será inaugurada na reunião do diretório nacional, em Curitiba.
De acordo com registros internos, o PT tem atualmente 2,1 milhões de filiados, dos quais 44% são mulheres. Esse índice sobe para 51% nas cidades com mais de 500 mil habitantes. Dilma Rousseff participa da campanha.
Prisão
Em um vídeo divulgado nas redes sociais do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último domingo (22), o petista diz que poderia ter fugido, mas que decidiu “enfrentar os problemas” e se entregar. O vídeo foi gravado pouco antes de Lula deixar o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, no dia 7 de abril, e se entregar à PF (Polícia Federal).
“Queria dizer ao povo brasileiro que essa decisão minha de aceitar o cumprimento do mandado [de prisão] é para provar uma coisa neste País. Primeiro, que eu não tenho medo das denúncias contra mim porque sou inocente. Segundo, poderia ter fugido. Estive na divisa do Paraguai com o Brasil, estive em Foz do Iguaçu, estive no Uruguai e na Argentina, poderia ter saído. Poderia ter ido para uma embaixada”, afirmou.
Lula fez uma caravana pelo Sul do Brasil entre 19 e 28 de março deste ano. No Paraná, um ônibus da caravana chegou a ser baleado. “Não quis fugir porque quem é inocente não corre, enfrenta os problemas. E quero provar minha inocência. Se tem político que não tem honra e não se defende, eu tenho muita honra e quero me defender. É por isso que estou muito tranquilo”, complementou.
Deputados
O líder do PT na Câmara Federal, Paulo Pimenta, disse que o MPF (Ministério Público Federal) não tem competência para emitir parecer contra a atuação de uma comissão externa de deputados federais que pretende visitar o ex-presidente Lula na prisão.
A declaração foi dada na última sexta-feira (20) no acampamento em apoio político no bairro Santa Cândida, em Curitiba. Segundo ele, o grupo de trabalho, aprovado pela Câmara Federal, vai à cidade nesta terça-feira (24), e a juíza Carolina Lebbos, que cuida da custódia de Lula, já foi comunicada.
“É mais uma demonstração de que há um processo profundo de desrespeito e incompetências. Parece que se criou uma constituição de Curitiba e isso não existe”, disse o petista. “A Comissão de Representação Externa é o Parlamento que se desloca para observar algum fato de relevância para o País e informar o conjunto da Casa sobre o que está acontecendo”, declarou Pimenta, que citou o caso do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e da tragédia de Mariana (MG) como exemplos da atuação do grupo.
A juíza ainda não se pronunciou sobre o assunto. Em um parecer, o MPF afirmou que a petição da Câmara dos Deputados deveria respeitar um prazo mínimo de dez dias de antecedência da data marcada para a vistoria.
Ainda conforme o parecer do MPF, seria inviável que os deputados visitassem o ex-presidente na quinta-feira (19), no mesmo dia em que ele recebeu a visita de familiares. A manifestação do órgão não menciona, contudo, a intenção de uma nova data.
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