Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 3 de maio de 2021
Mila Chaseliov não quis esperar. Como está no grupo dos não prioritários na fila da vacina para a covid-19 no Brasil, sua vez provavelmente só chegaria no fim de dezembro. Conversou com os chefes, organizou as contas, arrumou alguém para cuidar do gato e comprou seguro de saúde e passagem de ida e volta para Israel. O objetivo: se vacinar.
Ela é parte de um grupo de cidadãos israelenses que vivem no exterior e decidiram viajar só para receber as duas doses da Pfizer no país cujo programa de vacinação é o mais avançado do mundo, com 62,5% da população já vacinados com a primeira dose.
“Eu estava vendo vários amigos tomando vacina, amigos da minha idade, pessoas mais jovens do que eu, desde dezembro, mas Israel estava fechado”, contou a publicitária de 39 anos, que tem cidadania tanto israelense quanto brasileira. “Depois um amigo disse: ‘Mila, estou aqui, eu acabei de me vacinar: vem’.”
Chaseliov diz que, desde o ano passado, quando viu como estava sendo a gestão da emergência sanitária em Israel, que fez três quarentenas, pensava em voltar. Mas só quando o país começou a vacinar toda a população é que decidiu concretizar o plano.
Ela chegou a ter o voo cancelado por causa das dificuldades logísticas nos aeroportos e, quando chegou a Israel, teve que fazer isolamento de dez dias e dois exames PCR.
“Quando acabou o isolamento, marquei a vacina para o dia seguinte”, disse.
Para se vacinar em Israel, é preciso seguir critérios. A entrada de turistas foi suspensa durante a pandemia e só será liberada no dia 23 de maio, apenas para pessoas já vacinadas.
Até mesmo os israelenses tiveram dificuldades para entrar no país durante um período: na última quarentena, neste ano, o governo só estava liberando a autorização de entrada para um número limitado de cidadãos. Apenas no início de março a entrada foi liberada para todos os que têm cidadania israelense.
Além disso, na maioria dos casos, para se vacinar é preciso ter um plano de saúde. Os cidadãos podem apelar para o Magen David Adom, o serviço público nacional de emergência médica e desastres, o mesmo utilizado para vacinar os idosos que vivem em casas de repouso e os palestinos com autorização para trabalhar no país.
Foi o que fez Ariel Torok, de 39 anos, que perdeu seu emprego no ano passado no Reino Unido, onde vive, e decidiu passar um tempo no Brasil. Se ele voltasse diretamente para o território britânico, teria que pagar uma quarentena em um hotel especial e esperar até setembro para chegar sua vez de se vacinar. Decidiu, então, fazer uma escala em Israel, onde tomou a vacina logo que chegou.
“Meu ex-chefe tinha me falado que o Magen David estava vacinando as pessoas em lugares públicos”, contou Torok, que é cidadão israelense. “Tomei a segunda dose 19 dias depois, porque eu voltava para Londres em 23 dias. Voltei sem precisar fazer a quarentena.”
A multiplicação de casos como os de Torok e Mila Chaseliov é atestada pela corretora de seguros Judite Klinger. Ela afirma que disparou o número de cidadãos que vivem no exterior procurando por seus serviços para comprar os planos de saúde e conseguirem se vacinar no país.
“Desde dezembro, quando começou a vacinação, estamos vendo aumento desse pessoal que está chegando, e realmente é para tomar a vacina, porque não tem outra explicação”, disse Klinger. “Foi muito acima do normal.”
Desde que o país anunciou a reabertura para não cidadãos, como parentes de cidadãos e residentes, a procura por seguros de saúde também aumentou, embora Klinger afirme que ainda não tem informação sobre se essas pessoas também conseguirão tomar as doses.
Os comentários estão desativados.