Sexta-feira, 30 de Outubro de 2020

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Rio Grande do Sul Programação virtual comemorou a data máxima farroupilha no Estado

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MTG promoveu série de shows e oficinas culturais on-line em alusão à efeméride. (Foto: Divulgação/MTG)

Uma série de atrações marcou na tarde deste domingo a comemoração do 20 setembro pelo MTG (Movimento Tradicionalista Gaúcho), encerrando sete dias de programação cultural. Pela primeira vez na história, a data alusiva à Revolução Farroupilha (1835-1845) foi homenageada com atividades basicamente virtuais, por causa das medidas de prevenção à pandemia de coronavírus.

Em um estúdio de 700 metros-quadrados montado no parque da Harmonia, no Centro Histórico de Porto Alegre, artistas e equipes técnicas apresentaram cerimônias oficiais, oficinas culturais e shows nativistas com nomes importantes do gênero, incluindo o gaiteiro e compositor Luiz Carlos Borges e o cantor e também instrumentista Gaúcho da Fronteira. Tudo com transmissão ao vivo na internet.

A iniciativa não ficou restrita à esfera institucional. Em diversos piquetes e CTGs (Centros de Tradições Gaúchas), inclusive fora do Rio Grande do Sul, o formato on-line também serviu para o compartilhamento de manifestações ligadas ao folclore do Estado e a integração dos gaúchos.

O governo do Estado também celebrou a efeméride com uma iluminação especial sobre o Palácio Piratini. Quem passava à noite pelo prédio histórico em frente à Praça da Matriz (Centro Histórico) encontrava uma fachada “pintada” em três grandes barras em vermelho, amarelo e verde, as três cores da bandeira riograndense.

História

Também conhecida como “Revolta dos Farrapos”, a Revolução Farroupilha (1835-1845) foi um dos principais movimentos regionais de contestação ao governo imperial durante a monarquia no País.

O conflito aconteceu, principalmente, por causa da insatisfação da categoria com a política tributária do governo imperial: no século 19, a província do Rio Grande do Sul tinha como principal produto o charque, elaborado a partir da carne bovina adquirida de estancieiros.

A grande insatisfação destes estava relacionada com a cobrança de impostos realizada pelo governo sobre a produção de charque da região. O charque gaúcho recebia uma pesada taxa, enquanto o produzido pelos uruguaios e argentinos tinha uma taxação menor.

Outras razões ajudam a entender o início dessa revolta: insatisfação com a taxação do gado na fronteira Brasil-Uruguai, descontentamento com a criação da Guarda Nacional e a falta de autonomia da província, dentre outros.

O somatório de fatores levou os gaúchos a rebelarem-se contra o governo central em 20 de setembro de 1835. Em um primeiro momento, a revolta não tinha caráter de separatismo, mas, à medida que a situação avançou, a saída separatista ganhou força.

A revolta se espalhou por parte considerável do território gaúcho. Mas o anúncio da separação da província só aconteceu em setembro de 1836, dando origem à República Rio-Grandense, também conhecida como República de Piratini.

A Guerra dos Farrapos teve como líder o estancieiro Bento Gonçalves, que inclusive foi presidente da República Rio-Grandense por algum tempo. Outros nomes importantes foram o do italiano Giuseppe Garibaldi e o do militar brasileiro David Canabarro.

Apesar da sua longa duração e da sua extensão para outra província do Sul, em geral o confronto teve combates de baixa intensidade. Ao longo de uma década, cerca de 3 mil pessoas morreram.

Não há consenso entre os historiadores sobre se os farrapos queriam se separar do Brasil ou se apenas queriam garantir mais autonomia para sua província. Outro ponto é que a luta dos farrapos não contou com o apoio de toda a população gaúcha: a cidade de Porto Alegre, por exemplo, não os apoiou.

Os combates se concentraram em confrontos de cavalaria, como na vitória dos farrapos na Batalha de Seival. Porém, à medida que a reação imperial se consolidava, os farrapos perderam força e partiram para a confronto de guerrilha, sobretudo a partir de 1842, quando o conflito já estava liquidado a favor do Império.

Para conter a revolta na província, o governo brasileiro nomeou Luís Alves de Lima e Silva, o Barão de Caxias (futuro Duque de Caxias). A ação do líder militar à frente de 12 mil homens foi eficiente, ao conseguir sufocar os farrapos com ações estratégicas e, com a diplomacia, levá-los à negociação.

A paz foi assinada no “Tratado de Poncho Verde”, em que os rebeldes encerraram o movimento. Na condição de derrotados, eles aceitaram os termos propostos pelo governo.

(Marcello Campos)

 

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