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Geral Um protesto a favor do aborto reúne milhares de pessoas no Chile

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Chilenas marcharam pelas principais ruas de Santiago. (Foto: Reuters)

Milhares de chilenos protestaram nesta terça-feira (25) pela capital Santiago para pedir a descriminalização do aborto, após o Congresso barrar uma lei que flexibilizava as situações em que uma gestação pudesse ser interrompida.

Cerca de seis mil pessoas enfrentaram as baixas temperaturas do inverno e saíram às ruas para exigir que o aborto seja permitido no Chile, que é considerado um dos países com legislação mais restritiva sobre o tema no mundo.

Segundo números divulgados pelos organizadores, as pessoas iniciaram a manifestação na Praça Itália, um dos pontos nevrálgicos da capital chilena, seguiram pela calçada sul da Alameda, a principal artéria de Santiago, até chegarem à Praça dos Heróis, perto da sede do Executivo.

Os manifestantes defendem que o aborto ocorra por livre arbítrio das gestantes. “Queremos abortar sem que nos imponham condições patriarcais ou misóginas. O aborto permitido em alguns casos nunca será suficiente, pois limita nosso poder de decisão e outras pessoas acabam decidindo por nós”, disse um dos organizadores da marcha.

Num dos cartazes lia-se “As ricas pagam… as pobres sangram! Aborto seguro, gratuito e solidário”. Outro indicava “Abortar é uma opção, decidir é um direito”.

O protesto foi convocado por cerca de 50 associações femininas sob o slogan “Aborto livre, gratuito e seguro”. Na semana passada, o Senado do Chile tinha aprovado um projeto de lei apresentado pela presidente Michelle Bachelet para legalizar o aborto em três situações: quando há risco de vida para a mãe, quando há inviabilidade do feto ou em caso de estupro. O texto, no entanto, não conseguiu ser aprovado na Câmara e agora terá que voltar para análise de uma comissão mista.

Quando a pauta passou no Senado, a presidente Michelle Bachelet chegou a afirmar que o momento era histórico para as mulheres. “É uma manhã histórica”, disse Bachelet. “O que esta lei permite é que sejamos um país onde as mulheres diante de diversas situações possam tomar a melhor decisão possível”, completou.

Mas o passo seguinte não aconteceu. Para legalizar a interrupção da gravidez em caso de inviabilidade fetal, perigo de vida para a mulher e violação precisava de 67 votos. Na primeira votação conseguiu 65 votos a favor, na segunda 66.

O Chile é um dos poucos países do mundo que mantém uma proibição legal absoluta do aborto, juntamente com El Salvador, Nicarágua, Honduras, Haiti, Suriname, Andorra, Malta e o Vaticano.

No Chile existia o direito ao aborto terapêutico desde 1931, até mesmo antes de as mulheres conquistarem o direito ao voto, em 1949. Mas seis meses antes do término da ditadura de Augusto Pinochet, em setembro de 1989, o regime decretou: “Não poderá ser executada nenhuma ação cujo fim seja provocar um aborto”. A lei o proíbe e também o persegue. Entre 2010 e 2014, houve 497 imputados por aborto consentido, de acordo com informações da ONG Miles Chile: 86% eram mulheres e 14%, homens.

 

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