Domingo, 09 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 9 de agosto de 2026
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu a Selic (taxa básica de juros) em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, em decisão unânime. O movimento, o quarto consecutivo nessa magnitude desde março, quando a taxa estava em 15%, não trouxe surpresas e sugere a continuidade de um ciclo gradual de afrouxamento da política monetária.
O comitê evitou sinalizar seus próximos passos, limitando-se a reiterar que manterá a restrição adequada para levar a inflação a patamar ao redor da meta de 3% até o início de 2028.
A tarefa é árdua. O Banco Central projeta IPCA de 5,1% em 2026, 3,8% em 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028.
Por sua vez, as expectativas de mercado, coletadas pela pesquisa Focus, permanecem muito distantes da meta, em 5% para este ano e 4,2% para o próximo. E a inflação acumulada nos últimos 12 meses, de 4,64%, ainda supera o teto do alvo (4,5%), mas os dois últimos resultados do IPCA deram sinais de acomodação, inclusive na inflação de serviços.
Além disso, o balanço de riscos da inflação continua assimétrico para cima, segundo o comunicado. Na área externa, os conflitos no Oriente Médio podem trazer novos aumentos dos preços de energia. Há também a possibilidade de que o Federal Reserve, o banco central americano, eleve sua taxa de juros, pressionando o custo do financiamento global.
No plano doméstico, por outro lado, há evidências de desaceleração da atividade. A indústria e o varejo mostram perda de tração, enquanto a inadimplência de famílias e empresas se mantém em patamares elevados devido ao arrocho dos juros.
No mercado de trabalho, ainda aquecido, os sinais são incipientes: a criação de vagas pelo Caged tem sido mais modesta, e as últimas leituras do IBGE apontam menor pressão sobre os salários.
O cenário, de todo modo, permanece incerto, sobretudo pela falta de clareza sobre a política econômica após as eleições presidenciais, em especial quanto às perspectivas de ajuste fiscal. Sem compromisso crível nessa área, não haverá convergência sustentável para taxas de juros mais civilizadas.
O nível atual de aperto é insustentável, pois onera de forma crescente a dívida pública e comprime cada vez mais os tomadores de crédito, já pressionados por alto endividamento.
Diante desse quadro, a perspectiva mais provável é a continuidade de cortes graduais nas próximas reuniões, que podem levar a Selic a patamar ainda elevado, entre 13% e 13,5%, até o final do ano, a depender da evolução da inflação e da atividade. (Opinião/Jornal Folha de S.Paulo)
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