Segunda-feira, 17 de Fevereiro de 2020

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Brasil PSL quer convocar Dilma, Palocci e Marcelo Odebrecht na CPI das fake news

Comissão vira campo de batalha entre governo e oposição, que convocou assessores do "gabinete do ódio". Na foto, a ex-presidente Dilma Rousseff. (Foto: Fernando Donasci/Twitter/Dilma Rousseff)

Parlamentares do PSL na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) das fake news intensificaram a pressão para convocar a ex-presidente Dilma Rousseff, o ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci e o executivo Marcelo Odebrecht a depor perante os deputados e senadores que compõem o grupo.

O esforço é liderado pelos deputados Caroline de Toni (SC) e Filipe Barros (PR), que pertencem à ala do PSL ligada ao presidente Jair Bolsonaro. Em uma rede social, De Toni, apesar de afirmar que a CPMI é uma “tentativa de cercear a liberdade de expressão, de pensamento e até mesmo a liberdade de imprensa”, disse que queria usar o espaço para investigar o “mensalinho do PT no Twitter/FB [Facebook], que consistia no financiamento e práticas ilegais de manipulação da opinião pública”.

Já Barros entrou com um requerimento nesta quinta-feira (24) para convidar o jornalista Taiguara Fernandes de Sousa a falar aos membros da CPMI. Crítico da comissão, Fernandes de Sousa gravou um vídeo de uma hora em que defende que as acusações de que o presidente Jair Bolsonaro teria milícias digitais fariam parte de uma “estratégia globalista” com o objetivo de derrubar o capitão reformado.

A CPMI foi criada em julho e instalada em setembro para investigar ataques cibernéticos e o uso de perfis falsos para influenciar o resultado das eleições de 2018, vencidas por Bolsonaro. A comissão tem se transformado em um verdadeiro campo de batalha entre governo e oposição. Parlamentares do governo conseguiram, na sessão de quarta-feira (23), convocar a presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR).

Já a oposição convocou os assessores da Presidência que compõem o chamado “gabinete do ódio” – Tercio Arnaud Tomaz, José Matheus Salles Gomes e Mateus Matos Diniz –, além do assessor internacional da Presidência Filipe Martins e do chefe da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social), Fabio Wajngarten.

Também tenta chamar para depor o vereador Carlos Bolsonaro (RJ), filho de Bolsonaro, e o ex-ministro Gustavo Bebianno, ex-presidente do PSL. Até agora, esses requerimentos não foram apreciados, o que gerou críticas da oposição. “Nós não estamos convocando o senhor Carlos Bolsonaro, por exemplo, porque nós entendemos que ela [a comissão] não deve ter esse viés político”, criticou a deputada Luizianne Lins (PT-CE) nesta quarta-feira.

“Eu estou colocando que não tem um requerimento que atinja ou que tenta atingir ou constranger na política o governo. Mas aí estava listado o da Dilma, que não sei o que ela tem a ver com 2018, porque é o objeto da CPMI…até a Dilma foi colocada aí.”

Em resposta, o novo líder do PSL na Câmara, deputado Eduardo Bolsonaro (SP), afirmou que o nome de seu irmão era usado na comissão como moeda de troca. “Convocá-lo ou não o convocar, para mim, sinceramente, é um tanto quanto indiferente. Acho que, se ele vier aqui, ele vai falar muitas verdades, como sempre, nas redes sociais”, defendeu.

Para o parlamentar, a CPMI tenta minar quem tem alguma “ascensão conservadora.” A crise dentro do PSL também respingou na comissão. A CPMI já aprovou o convite à deputada Joice Hasselmann (SP), ex-líder do governo no Congresso, e ao deputado Delegado Waldir (GO). Ambos estiveram no centro da disputa entre a ala bolsonarista e a ligada ao presidente do PSL, Luciano Bivar (PE).

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