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Saúde Quando as vacinas contra o coronavírus estarão disponíveis para os brasileiros?

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Não são poucos os estudos de possíveis vacinas contra a Covid-19 mobilizados no mundo

Foto: Reprodução
Testar positivo para covid-19 sem apresentar sintomas ou ter uma evolução leve da doença é algo normal após a vacinação. (Foto: Reprodução)

Tão perto, mas ainda tão distante. O Instituto Butantan, centro de pesquisa biológica ligado ao governo de São Paulo, já armazena cerca de 120 mil doses de uma vacina potencialmente capaz de conter a pandemia da Covid-19.

As doses da Coronavac, vacina produzida pela chinesa Sinovac e testada no Brasil em parceria com o Butantan, foram importadas com a condição expressa imposta pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de que não sejam aplicadas até que haja o registro efetivo do imunizante.

O instituto espera receber nas próximas semanas insumos para a produção de outras 40 milhões de doses. Neste domingo (22), o Ministério da Saúde projetou ter quase 143 milhões de doses previstas pelos acordos que já estabeleceu, o que seria suficiente para imunizar um terço dos brasileiros.

Mas a pergunta que não quer calar: quando uma vacina estará disponível no Brasil? Poucos arriscam datas. Na segunda-feira (23), o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, arriscou uma: espera que a vacinação já seja possível em fevereiro, talvez ainda em janeiro. Covas estabeleceu o cronograma considerando que o órgão conclua os estudos necessários ainda em 2020 e que a Anvisa analise o caso em torno de um mês.

A agência federal não se compromete com prazos. O gerente-geral de medicamentos da Anvisa, Gustavo Mendes, incentivou os desenvolvedores a compartilhar o máximo de informações sobre os estudos, mesmo antes que estejam concluídos. “Somos cientistas e temos que avaliar estes dados com muito cuidado”, argumentou.

Para Mendes, são três as vacinas mais avançadas. Além da Coronavac, a vacina da Universidade de Oxford e da AstraZeneca e a vacina da Pfizer e da BioNTech estão no mesmo estágio de liberação, com a observação de que as duas primeiras já abasteceram a agência com informações técnicas.

Pfizer nos EUA

A luz no final do túnel acendeu para os americanos nos últimos dias. Pfizer e BioNTech pediram ao FDA, o equivalente à Anvisa nos Estados Unidos, autorização para o uso emergencial do imunizante que desenvolvem.

O FDA agendou o início da análise do pedido para o próximo dia 10 de dezembro. O  chefe do programa de vacinas contra a Covid-19 dos Estados Unidos, Moncef Slaoui, afirma que o país pode começar a distribuir já no dia seguinte – portanto, em 11 de dezembro – caso a resposta seja positiva.

A Pfizer negocia com o Brasil. Recentemente, representantes da farmacêutica conversaram com o Ministério da Saúde. Apesar de haver a possibilidade de uma negociação, o imunizante também precisaria da aprovação no país. Há ainda questões logísticas a serem resolvidas, já que essa candidata a vacina demanda transporte em temperaturas baixíssimas, de -70º C.

Além da Pfizer, outras quatro possíveis fornecedoras se reuniram com o governo brasileiro nesta última semana. São elas a Janssen, Bharat Biotech, Fundo Russo de Investimento Direto e a Moderna. O país também se integrou à Covax, cooperação das Nações Unidas para custear projetos de vacinas.

Especialistas estão céticos

A microbiologista Natália Pasternak, pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, e Marcelo Otsuka, coordenador do comitê de infectologia pediátrica da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), vêem as projeções com ceticismo.

“Ter vacina em janeiro é um pouco otimista demais. Vai demorar um pouquinho para elas apresentarem os resultados, serem encaminhadas para a agência regulatória, que vai examinar, aprovar, fazer o registro e só então organizar as campanhas”, explica Pasternak.

“A gente tem que ter certeza da eficácia, análise dos estudos, ver resultados concretos, e toda a logística da produção à distribuição. Não é tão simples mesmo, é preciso ter paciência”, concorda Otsuka.

E quem vai primeiro?

Não são poucos os estudos de possíveis vacinas contra a Covid-19 mobilizados no mundo. Para além de um ou outro mais conhecido no Brasil, são cerca de 270 estudos, de diferentes origens, que o Ministério da Saúde afirma monitorar nesse momento.

Uma perspectiva é que, assim como nos EUA, não se deve esperar que haja no Brasil vacinas prontas e aprovadas para toda a população. Por lá, segundo disse Moncef Slaoui, chefe do programa de vacinas contra a Covid-19 dos Estados Unidos, os primeiros grupos a serem vacinados devem ser os profissionais da saúde, os idosos e as pessoas com condições preexistentes

A autoridade americana também admite a possibilidade de não chegar a imunizar toda a população. Projetando ter 70% da população vacinada, Slaoui acredita que o país possa atingir a chamada “imunidade de rebanho”, quando há uma imunização ampla o suficiente para reduzir significativamente o potencial de contágio, até maio de 2021.

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