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Saúde Quase 60% dos hipertensos brasileiros não seguem tratamento

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A Sociedade Brasileira de Cardiologia estima que cerca de 400 mil pessoas morram anualmente no Brasil por doenças cardiovasculares. (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

Um estudo multicêntrico envolvendo 2.578 pacientes em todas as regiões do Brasil identificou que quase 60% dos brasileiros com hipertensão não aderem ao tratamento prescrito. Os resultados foram publicados na International Journal Science of Cardiology, com destaque em editorial, e o trabalho foi eleito o melhor artigo original de 2024 pela Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Entre os participantes, mais de 200 pacientes acompanhados pela Associação Ribeirãopretana de Ensino, Pesquisa e Assistência ao Hipertenso (Arepah) integraram o estudo. Eles foram observados ao longo de quase dois anos sob coordenação do professor Evandro José Cesarino, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, contribuindo para o conjunto de dados nacionais analisados.

O estudo teve como autor principal Vinícius Encenha Lanza, egresso da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP), que recebeu o Prêmio de Publicação Científica durante o 80º Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado em setembro.

Com o objetivo de refletir a realidade dos pacientes hipertensos no País, o levantamento reuniu centros de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná, Sergipe e outras regiões. A coleta utilizou a Escala de Morisky-Green, questionário validado internacionalmente e de baixo custo, composto de quatro perguntas que investigam se o paciente esquece, descuida ou interrompe a medicação.

Segundo Cesarino, “a hipertensão é uma doença silenciosa, sem sintomas, mas que pode levar ao acidente vascular cerebral, ao infarto e à morte súbita em idades precoces. Muitas pessoas não levam a sério o tratamento, e por isso testes como o Morisky deveriam ser aplicados rotineiramente nas consultas médicas”.

Para integrar o estudo, os voluntários precisavam ser adultos e se comprometer a participar por pelo menos um ano. Fichas epidemiológicas padronizadas foram preenchidas em todos os centros do Brasil, e os dados inseridos em prontuários eletrônicos para análise nacional.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia estima que cerca de 400 mil pessoas morram anualmente no Brasil por doenças cardiovasculares, entre as principais causas de óbito segundo o Ministério da Saúde. “Ver esse esforço de anos ser reconhecido internacionalmente é uma alegria imensa”, afirma Cesarino.

A hipertensão arterial é caracterizada pela elevação persistente da pressão sanguínea acima de 140/90 mmHg. Embora fatores hereditários estejam presentes em 90% dos casos, medidas como alimentação balanceada, prática de exercícios físicos, redução do consumo de sal e álcool ajudam a prevenir ou controlar a doença. “Em muitos casos, o uso contínuo de medicamentos é essencial para evitar complicações graves”, finaliza Cesarino.

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