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Edson Bündchen Rebeldes, indomáveis e inconsequentes

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De acordo com O IBGE, o Brasil teve quase 1.500.000 mortes em 2020, cerca de 200.000 a mais do que em 2019. O acréscimo de 15% no número de mortes de um ano para o outro é recorde, e revela o quão trágico está sendo o saldo da mais grave epidemia desde a gripe espanhola, ocorrida no início do século passado. Com as mortes deste ano, os números serão ainda mais assombrosos e devem revelar, com uma chocante nitidez, o erro colossal de todos aqueles que não apenas desdenharam da pandemia, mas criticaram os especialistas que apontavam para a gravidade da doença, além de tripudiarem acerca da eficácia das vacinas. Esse comportamento verificado durante a atual pandemia, contudo, não é exatamente uma novidade. Ainda está fresca na memória dos mais experientes a rejeição inicial ao uso do cinto de segurança e da proibição do cigarro em ambientes fechados, ocorridas no final dos anos 90 do século passado. Hoje, parece incompreensível que alguém tenha se oposto a medidas que o tempo tratou de consagrar como de absoluto bom senso. Não será diferente, por certo, em relação aos recalcitrantes da pandemia, cujo comportamento ofende e contrasta com nosso senso de humanidade, uma vez que esse negacionismo inconsequente é ainda mais deletério e mortal do que aquele dos relutantes de outrora.

Buscar compreender os fenômenos à luz da razão é o padrão que prevaleceu desde que a ciência suplantou o mito, as crenças miraculosas ou o puro e simples charlatanismo. Esse avanço, porém, não eliminou do cenário a ignorância, a vilania e o egoísmo, atitudes que sustentam a indesejável e permanente ofensa à ciência e às evidências empíricas. Nesse caso, a base do dissenso não se ampara na razão, mas no sistemático apelo à mentira ou em negações sem sentido, porém não desprovidas de efeitos que repercutem, muitas vezes dramaticamente, especialmente junto aos mais incautos e desinformados, vítimas e porta-vozes involuntários desse mal que atravessa o tempo. Há mais, entretanto, do que sordidez na negação da verdade e bovina aceitação da mentira. A propensão natural à desconfiança do novo vem embutida no código genético de todos nós, num eco tardio de quando ainda nos debatíamos para garantir um almoço sempre incerto ou fugir de um leão faminto em primitivas eras. Entender o fenômeno, todavia, não implica em assentir, mas justamente forjar um repertório consistente e racional, capaz de refutar esse modo nefasto e até criminoso que contamina e prejudica a evolução mais rápida e abrangente de consensos médicos ou científicos.

Agora, mesmo, passados quase dois anos do início da pandemia, uma quarta onda coloca a Europa em alerta, expondo ao mundo as dificuldades que os não vacinados impõem às autoridades que lutam para preservar a saúde do conjunto da sociedade. Assim também está sendo nos EUA, país que enfrenta a mesma dificuldade em convencer os cidadãos a se vacinar. Pior, essas mesmas pessoas são geralmente aquelas que criticam medidas de isolamento social, o uso de máscaras e a exigência do passaporte vacinal. Nesse caso, em muitos países, e no Brasil não está sendo diferente, além da ignorância e da má-fé, a questão ideológica também está presente. Líderes negacionistas têm manifestado um comportamento errático, assumindo posturas anticiência, levando milhões a assumirem, por mimetismo, riscos às suas próprias vidas. Quando as lideranças vacilam, quem paga o preço é a população menos esclarecida, justamente aquela que deveria ser orientada à luz da razão. Se hoje nos parece bizarro que, há menos de 30 anos, alguém se opusesse ao uso do cinto de segurança e à proibição do fumo em ambientes fechados, em bem pouco tempo nos parecerá ainda mais injustificável que, sob todas as luzes do milênio do conhecimento, ainda haja pessoas que confrontem abertamente a eficácia das vacinas. Por isso mesmo, mais de que nunca, é preciso estar alerta e investir de modo permanente na disseminação da verdade, porém jamais aquela que se esconde atrás do conceito fantasioso da liberdade para pregar a mentira.

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