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Mundo O coronavírus pôs fim ao extraordinário ciclo de quase meio século de crescimento da China e acende um alerta diante dos líderes mundiais

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Números alarmantes deixam claro quão monumental será o desafio de recuperar a economia global. (Foto: Reprodução)

O surto de coronavírus pôs fim ao extraordinário ciclo de quase meio século de crescimento da China – e acende um alerta sobre o enorme desafio que se coloca diante dos líderes mundiais que tentarão reiniciar a economia global.

As autoridades chinesas disseram na última sexta-feira, 17, que a segunda maior economia do mundo encolheu 6,8% nos primeiros três meses do ano, em comparação ao ano passado, encerrando uma série de crescimento que sobreviveu à violência da Praça Tiananmen, à epidemia de SARS e até à crise financeira global. Os dados refletem os dramáticos esforços da China para conter o coronavírus, os quais incluíram o fechamento de fábricas e escritórios em janeiro e fevereiro, quando o surto fez milhares de doentes.

Os números alarmantes deixam claro quão monumental será o desafio de recuperar a economia global. Desde que saiu do isolamento e da extrema pobreza há mais de 40 anos, a China talvez tenha sido o motor de crescimento mais importante do mundo – gerando fortunas em outros tempos conturbados, como a crise financeira.

Agora, o país está tentando reiniciar sua vasta economia de US $ 14 trilhões, um esforço que poderia dar uma injeção de ânimo necessária ao resto do mundo. A disseminação do coronavírus pelos EUA e pela Europa, congelando as economias locais, suscitou previsões de que a produção mundial poderá encolher muito mais este ano do que durante a crise financeira.

Essa interrupção global, por outro lado, prejudicará os esforços chineses para voltar aos trilhos, criando um difícil quebra-cabeças econômico para os principais líderes de Pequim. A pandemia e as tentativas de contê-la reduziram drasticamente o apetite mundial pelos produtos chineses, o que pode ocasionar paralisações de fábricas e dispensas de trabalhadores, mesmo enquanto o país tenta retomar os negócios.

A China foi retirando gradualmente muitas de suas restrições ao trabalho e às viagens nas últimas semanas. Mas empresários de todo o país dizem que os tempos continuam difíceis. As famílias dizem que perderam renda.

A contração, anunciada ontem pela manhã em Pequim pelo Serviço Nacional de Estatística da China, é o primeiro encolhimento econômico reconhecido pelas estatísticas oficiais desde 1976, quando o país vivia os últimos dias da Revolução Cultural, uma convulsão nacional de tortura e violência urbana.

Estratégia

A série histórica de crescimento foi alimentada pela criação de uma extensa e moderna rede de rodovias e ferrovias, pelo forte empreendedorismo de seu povo, por sua força de trabalho qualificada e por um governo que se dispôs a deixar de lado as preocupações ambientais e trabalhistas em nome do eterno crescimento da produção econômica. Mas esses fatores não foram páreo para a covid-19, que, depois de surgir na cidade de Wuhan no final de dezembro, paralisou o enorme mecanismo da indústria do país.

As opções de Pequim são limitadas. Até o momento, seus líderes evitaram a formulação de um enorme pacote de gastos, como fizeram governantes nos EUA e na Europa. Sua economia se tornou grande e complexa demais para ser reiniciada com facilidade, como em 2008, quando o governo apresentou um plano para gastar mais de meio trilhão de dólares. Anos de empréstimos facilitados também deixaram governos locais e empresas estatais em dívida.

No entanto, os líderes da China enfrentam pressão para agir. A queda na renda obrigou as famílias a reduzirem seus gastos. Han Xiaojuan, de 35 anos, tem uma pequena loja que vende jaquetas e chinelos. Ele disse que hoje em dia as pessoas só estão comprando artigos de primeira necessidade. “É o pior momento de todos os tempos.”

O efeito continuado da epidemia apareceu em outros dados divulgados ontem. Esses dados, assim como os números sobre importações e exportações divulgados terça-feira, mostraram que a economia começou a se recuperar, mas ainda tem um longo caminho pela frente.

A produção industrial caiu 1,1% em março em relação ao mesmo período do ano passado, e as vendas no varejo despencaram 15,8%. O investimento em ativos fixos caiu 16,1% nos três primeiros meses do ano, ante o ano anterior.

O próximo baque para a economia da China pode vir do enfraquecimento da demanda global por suas exportações. Empresários dizem que o fechamento quase completo das fronteiras da China, para limitar uma potencial segunda onda de infecções, prejudicou os pedidos de exportação.

Outra preocupação é saber quantas pequenas e médias empresas conseguirão sobreviver às adversidades atuais.

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