Quinta-feira, 23 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 23 de abril de 2026
Um estudo do Banco Inter estima que, mesmo trazendo mérito social com melhores condições de trabalho, a proposta de redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais no Brasil e do fim da escala 6×1 (seis dias trabalhados para um de descanso) deve reduzir o Produto Interno Bruno (PIB) em cerca de 0,82% no médio prazo.
Esse impacto deve se dar após a economia absorver a mudança por completo, com reajustes nos diversos setores.
“Não trabalhamos com um horizonte temporal fixo, mas estamos comparando o equilíbrio atual com um novo equilíbrio após o fim da escala 6×1”, afirma o gerente de pesquisa macroeconômica do Inter, André Valério. “Entre esses dois equilíbrios, inclusive, nada impede que ocorra um aumento do PIB durante a transição.”
As áreas mais intensivas em mão de obra e com maior índice de formalização do trabalho devem sentir mais esses efeitos, declara o economista. Dentre os 12 grandes setores da economia, a construção deve ter a maior perda, de 2,14% do PIB, seguida pela indústria de transformação (-1,87%).
O único a se beneficiar da mudança deve ser o de atividades imobiliárias, com ganho de 0,9%, aproveitando uma realocação do consumo, aumento de procura por unidades habitacionais e uma baixa dependência de insumos de outros setores.
Foram analisados também 66 setores pelo banco para identificar quais sofrerão mais impactos nos custos e na produção. Os mais afetados devem ser as atividades de vigilância e de fabricação de calçados e autopeças.
O estudo buscou trazer uma modelagem que vai além de impactos diretos de aumento de custos por conta da mudança – outros dados recentes apresentados por associações empresariais tratam apenas desses efeitos.
A nova pesquisa contabilizou impactos indiretos, como, por exemplo, de insumos de um setor ficando mais caros e prejudicando outros setores que dependem deles. Por outro lado, também considerou escolhas das empresas para se adaptar e mitigar os efeitos da diminuição de um dia da escala de trabalho por funcionário, com a adoção de cargas horárias menores.
Cada uma dessas mudanças pode afetar mais cada tipo de negócio, com setores sentindo mais a perda do trabalho no sexto dia e outros, mais a diminuição da carga horária.
“Algumas empresas podem preferir ter menos trabalhadores e diminuir a oferta de serviços. Assim, elas trocariam um menor faturamento por manter o nível de rentabilidade”, diz Valério. Isso, no entanto, pode causar diminuição da capacidade de investimento e crescimento futuro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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