Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 16 de novembro de 2015
Embora existam bilhões de imagens de celebridades na internet, quando se trata de estilo masculino, três nomes permanecem entre os deuses: Cary Grant, Paul Newman e Steve Mcqueen. É assim ao menos entre aqueles que ficaram adultos antes de toda a informação visual chegar ao córtex cerebral via Instagram.
Esse grupo inclui a maior parte dos estilistas de moda masculina. “Muitos designers se restringem aos mesmos caras”, observou recentemente o estilista Michael Bastian, recusando-se a apontar nominalmente os colegas, por diplomacia e também porque ele mesmo já recorreu a tal iconografia. “Steve McQueen, Paul Newman, Cary Grant já foram usados à exaustão”, assinalou Bastian. Existem bons motivos para que esse grupo de homens continue a exercer uma influência desproporcional sobre o que se pensa sobre estilo masculino.
Além de serem bonitos, SMcQueen, Newman e Grant também possuíam uma certa qualidade inefável categorizada como “cool”. Eles estavam sempre bem vestidos, não importando a roupa que usassem. Em parte, isso acontecia porque eles pareciam não da a mínima para a moda.
“Talvez a primeira coisa que eu tenha aprendido sobre estilo era que, se alguma coisa faz você se sentir bem, é provável que faça você parecer bem”, aponta Remo Rufini, o italiano de 54 anos que fez fortuna restaurando o conceito de “cool” para a Moncler, a marca para esportes de inverno que andava esquecida. “O que torna alguém um ícone é a confiança que essa pessoa transmite”, completou. Tal confiança é uma qualidade dos ícones masculinos em discussão. Mas esse grupo é altamente limitado. Não há nele diversidade racial e social e de gênero.
“Poucos negros têm um lugar no panteão do estilo”, explica Horace D. Ballard Jr., um ensaísta que tem se dedicado ao estilo dos negros e curador da educação no Museu de Arte de Birmingham (Reino Unido). “Onde está Marvin Gaye ou Paul Robeson?”, questionou. Os dois, não menos do que Newman, McQueen e Grant, transmitem um forte senso da diferença entre vestir as próprias roupas e deixar que alguém o vista. “Hoje, eles têm assistentes e sua aparência é muito profissional, uma criação da equipe a sua volta”, ressalta Josh Sims, autor de “Icons of Men‘s Style”.
“Isso não quer dizer que os astros de Hollywood do passado não se importavam com sua imagem. McQueen pedia que seus jeans fossem cortados de tal forma que realçassem seu bumbum, que ele considerava bonito.
“O melhor no estilo é o homem que veste jeans e camiseta com perfeição”, opinou Gert Jonkers, o co-editor da bíblia dos homens influentes, a Fantastic Man. “As celebridades de hoje têm imagens ruins circulando na rede. Ryan Gosling parece bem até que o vemos correndo para o supermercado. Isso nunca aconteceu com Cary Grant”, brinca Jonkers. (AG)
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