Quarta-feira, 27 de maio de 2026

Porto Alegre

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Geral Resgate de submarino desaparecido em expedição ao Titanic é missão quase impossível, dizem especialistas

Compartilhe esta notícia:

Imagem mostra submarino que está desaparecido durante uma descida. (Foto: Reprodução)

Resgatar os cinco tripulantes do submarino Titan, que desapareceu no Oceano Atlântico enquanto se dirigia para explorar os destroços do Titanic, no último domingo, a quase 4 mil metros de profundidade, “não é uma missão impossível, mas é uma das mais complexas para qualquer Marinha do mundo”, afirmou ao jornal O Globo o capitão de Mar e Guerra Luiz Eduardo Cetrim Maciel, comandante da Base Almirante Castro e Silva da Marinha do Brasil. Segundo o especialista, a capacidade para içar a pequena embarcação existe, mas pode não haver tempo hábil para deslocá-la até a superfície do local do acidente – que ainda não foi identificado – à medida que o estoque de 96 horas de oxigênio do minissubmarino vai se esgotando.

“O grande desafio é a duração do oxigênio”, afirmou Cetrim. “Não adianta a Marinha americana deslocar uma unidade [de resgate] se eles não sabem a localização [do submarino]. Se ele sofreu uma avaria, mas não tiver pousado no fundo do oceano, ele está sofrendo influência da corrente marítima, ou seja, mudando de posição. Isso significa que a cada dia que passa, a área de busca vai aumentando, o que torna o desafio ainda maior.”

O Titan mede em torno de 6,7 metros de comprimento, pesa mais de 10 toneladas e tem capacidade para cinco pessoas, segundo informações da OceanGate, a empresa fabricante. É, portanto, considerado um veículo de pequeno porte – submarinos da Classe Tupi utilizados pela Marinha do Brasil, por exemplo, pesam em torno de 1.400 toneladas.

“A tecnologia para içar um submersível desse tamanho existe, mas não sabemos até que ponto a Guarda Costeira conseguiria deslocá-la a tempo de cumprir o intervalo que o oxigênio permite aos tripulantes permanecerem vivos debaixo d’água”, acrescentou Cetrim. “É preciso considerar a profundidade e o tempo que se leva para posicionar uma plataforma com essa potência. O grau de complexidade é realmente grande.”

Pressão insuportável

Caso o Titan seja localizado, as equipes de busca passarão para a fase de salvamento, que envolve a avaliação do estado de saúde dos tripulantes e o controle da atmosfera interna da embarcação. Só então avançariam para o resgate propriamente dito, explica o comandante. Considerando a altíssima profundidade, poderia levar em torno de 2 horas apenas para puxar o submarino para a superfície, além do tempo empregado na descida do resgate e na amarração do submarino avariado, que são difíceis de serem precisados, afirmou.

O engenheiro costeiro David Zee, professor da Faculdade de Oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), avalia que a pressão do local onde está o Titanic, a cerca de 3.800 metros, é insuportável, chegando a cerca de 380 vezes a da atmosfera no nível do mar, o que inviabiliza totalmente a utilização de mergulhadores na operação, já que mesmo militares treinados operam a no máximo 300 metros, devido ao alto risco de doenças descompressivas, que podem levar à morte.

“Se esse submarino está com problemas de locomoção, está perdido. Ninguém vai conseguir descer até lá para pegá-lo e não há plano B. Nem submarinos nucleares descem a essa profundidade”, comentou Zee. “É mais difícil que fazer uma viagem à Lua.”

O pesquisador destaca que a comunicação entre uma plataforma na superfície oceânica e o submarino seria muito difícil, a não ser que este fosse equipado com um “cordão umbilical” de quase 4 km de comprimento. E qualquer problema que tenha acontecido, como uma falha mecânica ou uma pane elétrica, não poderia ser resolvido por nenhum tripulante, apenas por uma outra embarcação de resgate, explica.

Zee também lembra que a temperatura é muito baixa e não há nenhuma luz no ambiente, no ponto de profundidade a que o submersível chegou.

Uma esperança apontada pelo professor para quem está a bordo escapar sem ajuda externa, caso a mobilidade tenha sido afetada e nenhum dano os tenha acometido, seria a existência de um compartimento de gases muito comprimidos, uma estrutura inflável que lhes permitiria flutuar rapidamente até a superfície. No entanto, o comandante Cetrim alerta que, historicamente, há poucos registros bem-sucedidos de salvamentos deste tipo, conhecido como “apressado”, devido à alta variação de pressão que ocorre ao longo da subida, o que pode levar um ser humano à morte. As informações são do jornal O Globo.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Geral

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Filho do presidente dos Estados Unidos faz acordo com a Justiça e se declara culpado de sonegação de impostos
Polícias federal e dos Estados detiveram mais de 300 suspeitos para prevenir ataques em escolas do País
Pode te interessar