Quinta-feira, 16 de julho de 2026
Por Luís Eduardo Souza Fraga | 16 de julho de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Dia 14 de julho comemora-se a Revolução Francesa, evento que mudou o modelo político europeu e consequentemente parte do mundo, inclusive o Brasil.
A França do século XVIII era governada por um regime de “Monarquia absolutista”, onde o rei era o líder político e administrava o Estado com poder absoluto, ou seja, ele fazia as leis, aplicava as leis e punia conforme suas leis, obviamente apoiado por algumas classes sociais, como o clero (Igreja Católica) e a nobreza.
A Igreja pregava ao povo que o poder absoluto do rei provinha de Deus e somente ao criador ele devia satisfações, portanto, restava ao povo apenas obedecer o rei e temer a Deus. É claro que a falta de escolaridade colaborava para que o povo não questionasse as regras vigentes. Que bom que hoje não é mais assim, não é mesmo caro leitor?
Fica a reflexão!
A alternância de poder na Monarquia se dava de forma hereditária, ou seja, de pai para filho, sendo assim a mesma família se perpetuava no poder, de geração em geração.
Cabia ao terceiro estado (o povo) sustentar com seu trabalho, suas produções e seus impostos, o primeiro (clero) e o segundo estado (nobreza).
Em certo momento do século XVII, surgiram pessoas com ideias contrárias à Monarquia, estruturas políticas, sociais e econômicas da época, chamados de iluministas, propondo um modelo político e social diferente, sob o lema: “Liberté, Égalité, Fraternité” (Liberdade, Igualdade, Fraternidade).
Obviamente, muitos deles foram perseguidos, presos e condenados.
Entre esses iluministas surgiram filósofos e pensadores que mudaram o mundo, tais como:
* John Locke: criticava fortemente os governos absolutos e por consequência a Igreja, que dava apoio aos reis.
* Montesquieu: propôs o modelo político da República, dividido em três esferas de poder: Executivo, Legislativo e Judiciário.
* Jean-Jacques Rousseau: sua filosofia focava na liberdade natural, na crítica à propriedade privada e na soberania popular.
Aos poucos essas novas ideias foram ganhando mais adeptos, até que, em 14 de julho de 1789, o povo francês em revolta, partiu para a Bastilha, a prisão onde eram colocados os que discordavam do Rei, atacaram e derrubaram as grades da fortaleza, libertando quem lá estava, o rei foi avisado e perguntou: isso é um protesto e o mensageiro respondeu: não majestade, é uma revolução.
Posteriormente, em 1793, condenaram o rei Luís XVI a morte na guilhotina. Com esse ato estava consolidada a “Revolução Francesa”, que, mesmo com algumas idas e vindas, o fim do antigo regime.
As ideias iluministas e o novo modelo político, instituído na França, correu o mundo e também chegou ao Brasil, em 15 de novembro de 1889, militares e burgueses, por via de um golpe, derrubaram a Monarquia de D. pedro II e a Princesa Isabel, expulsaram a família real do país, na sequência proclamaram a República e instituíram os três poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário) idealizados pelo iluminista francês, Montesquieu.
Atualmente este modelo político, a República democrática e constitucional, permite que as lideranças sejam eleitas pelo povo e que a cada período determinado, no caso do Brasil, quatro anos, sejam realizadas novas eleições, assim possibilitando a alternância de poder e o exercício da democracia.
Na República e na Democracia, o poder emana do povo, através do sagrado direito do voto, conforme podemos ver nas contribuições teóricas dos pensadores iluministas: John Locke, Montesquieu e Jean-Jacques Rousseau.
A jovem República democrática brasileira, aos 137 anos, ainda está em construção e precisa ser lapidada, todos os dias.
Fica a reflexão!
* Prof. Luís Eduardo Souza Fraga – historiador e escritor (Contato: fragaluiseduardo@gmail.com)
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
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