Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 14 de abril de 2016
Alzheimer é uma doença em alta, e todos sabem disso. Só que não é bem assim. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, há estudos mostrando que o risco de desenvolver esse distúrbio neurológico está diminuindo. E parece que o nível de escolaridade está associado a isso.
A boa notícia foi apresentada recentemente em uma concorrida sessão da reunião anual da AAAS (Associação Americana para o Avanço da Ciência). Nos Estados Unidos, o recuo, de 2000 a 2010, foi de mais de 20%.
Os dados saíram do HRS (Estudo sobre Saúde e Aposentadoria), da Universidade de Michigan (EUA), em que 20 mil pessoas de 50 anos ou mais são monitoradas, a cada dois anos, desde 1992.
Kenneth Langa, membro da universidade, informou que a prevalência de Alzheimer em pessoas acima de 65 anos recuou de 11,7% para 9,2%. Uma retração de 21,4%.
O número absoluto de casos, no entanto, se estabiliza, porque o crescimento no número de idosos compensa a menor proporção deles que desenvolve a demência. Mais de 5 milhões de americanos estão nessa condição; no Brasil, estima-se que seja 1,34 milhão.
Os dados dos EUA estão em linha com os do Reino Unido, apresentados na AAAS por Carol Brayne, do Instituto de Saúde Pública da Universidade de Cambridge.
Seu grupo repetiu, entre 2008 e 2011, a metodologia aplicada em 1989 e 1994 no “Estudo sobre Função Cognitiva e Envelhecimento” em três áreas (Cambridge, Newcastle e Nottingham). Ao todo, mais de 7,5 mil pessoas foram examinadas.
A prevalência recuou de esperados 8,3% para 6,5%, queda de 21,7%. Carol ressalvou que diferentes padrões de diagnóstico podem distorcer um pouco essas estatísticas, em particular na comparação temporal.
A coincidência com o estudo americano, contudo, reforça a conclusão de que não se trata de um artefato. Além disso, todas as projeções anteriores previam que o risco de desenvolver Alzheimer iria aumentar com o tempo, e não diminuir.
Boa educação.
A notícia mais animadora é que a demência, ao que parece, pode ser evitada ou, ao menos, adiada.
“Cerca de 30% dos diagnósticos poderiam ser evitados”, concluiu Carol, com melhor controle das condições de saúde dos idosos.
Como os estudos também investigavam os hábitos de saúde e a condição socioeconômica dos indivíduos, vários fatores associados com risco diminuído de desenvolver Alzheimer foram isolados. Ausência de diabetes e hipertensão, por exemplo, assim como tabagismo.
Além disso, a boa alimentação e atividade física são fatores positivos: ingerir ao menos cinco porções de frutas e verduras e fazer exercícios são hábitos que atuariam protegendo os idosos.
O fator mais poderoso, porém, é o nível de escolaridade. Não se sabe como se dá essa proteção, apenas que parece associada com atividades intelectuais exigentes desde a juventude.
Há coisas mais misteriosas, contudo. Eileen Crimmins, da Universidade do Sul da Califórnia (EUA), apresentou resultados extraídos do HRS similares aos de Langa, mas com mais detalhe sobre a quantidade de anos vividos por idosos com e sem comprometimento cognitivo, como Alzheimer.
No geral, ela detectou 1,8 anos de acréscimo na expectativa de vida “boa” para pessoas com mais de 65 anos, em média, no período de 2000 a 2010. Em paralelo, houve diminuição de 0,4 ano com doença para os que desenvolveram demência. (Folhapress)
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