Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 14 de agosto de 2021
No fim de julho, a Rússia acoplou seu novo módulo Nauka à Estação Espacial Internacional (ISS) com algumas dificuldades, já que os propulsores do novo componente foram acionados subitamente e afetaram a orientação da ISS. O incidente rendeu críticas e questionamentos da imprensa dos Estados Unidos, e a Rússia não parece ter gostado disso. Recentemente, a TASS, mídia estatal do país, publicou um artigo em que afirma que a astronauta Serena Auñón-Chancellor, da Nasa, teria sofrido uma crise emocional no espaço, causada por um problema de saúde e, depois, teria danificado a nave russa para antecipar seu retorno à Terra.
O artigo da TASS faz referência a um incidente ocorrido em 2018, quando uma abertura de 2 mm foi identificada no módulo orbital da nave Soyuz MS-09, acoplada à ISS. Felizmente, o pequeno furo foi descoberto antes que despressurizasse a estação e foi selado temporariamente, permitindo que os astronautas Alexander Gerst, da Agência Espacial Europeia, Auñón-Chancellor, da Nasa e o cosmonauta Sergey Prokopyev voltassem em segurança a bordo da nave.
Depois, a atenção foi voltada para o que teria causado a perfuração. Causas variadas foram descartadas, e fontes do governo russo propuseram que, talvez, algum astronauta da Nasa estivesse insatisfeito e, assim, seria o responsável pelo buraco. Para investigar melhor o incidente, dois cosmonautas fizeram uma caminhada espacial em 2018, coletaram amostras e filmaram a abertura, e esse material foi destinado aos investigadores russos. O resultado da investigação não foi divulgado publicamente, mas a TASS retomou o assunto em sua publicação.
No artigo, o jornalista Mikhail Kotov revela uma entrevista com um “oficial do alto escalão da indústria espacial russa” e, embora a fonte tenha sido apresentadas sob anonimato, as respostas sugerem que a pessoa talvez seja Dmitry Rogozin, diretor da agência espacial russa Roscosmos. Durante a entrevista, a fonte retoma o incidente na nave Soyuz e descarta que o dano possa ter acontecido na Terra – mas destaca que Auñón-Chancellor sofreu trombose venosa profunda enquanto estava no espaço e que este, o primeiro caso da doença em órbita, foi publicado em um artigo científico somente após o retorno à Terra.
Segundo o entrevistado, “isso [a trombose] poderia ter causado uma ‘crise psicológica aguda’”, que teria resultado em várias tentativas de acelerar o retorno, destacando também que a câmera na conexão entre os segmentos da Rússia e dos EUA na estação não funcionava naquela época por motivos desconhecidos. Por fim, o entrevistado propõe que a localização do furo sugere que a pessoa responsável não tinha treinamento na construção da nave russa. Portanto, a Rússia implica que Auñón-Chancellor teria perfurado a nave para voltar para casa imediatamente.
Como resposta, a Nasa fez uma publicação em que afirma que todos os parceiros da Estação Espacial Internacional se dedicam à segurança e bem-estar da tripulação, e que a abertura detectada foi selada rapidamente. Após isso, os cosmonautas realizaram um spacewalk para coletar dados e examinar a eficácia do reparo, e a nave Soyuz foi totalmente verificada e considerada segura para o retorno da tripulação à Terra. Para proteger a privacidade dos astronautas, a Nasa decidiu não discutir informações médicas de seus tripulantes.A posição adotada pela agência espacial norte-americana é uma forma de evitar discussões prolongadas com a Roscosmos – e, embora não solucione a questão envolvendo a astronauta, é certo que a publicação russa fez várias afirmações preocupantes, principalmente ao revelar publicamente as condições de saúde de Auñón-Chancellor. Além disso, a ideia de que ela teria decidido perfurar um módulo de pressão para antecipar a volta para casa parece absurda, pois, embora o artigo afirme que a Rússia descarta que a perfuração aconteceu antes do lançamento, é mais provável que um técnico tenha danificado acidentalmente a estrutura da nave e corrigiu o erro com um remendo improvisado, que falhou devido à exposição prolongada no espaço.
De qualquer maneira, parece que a discussão sobre o incidente ainda vai longe.
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