Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 4 de agosto de 2015
Depois de cobrir as guerras do Afeganistão, Palestina e Iraque, se viciar em drogas, criar inimizades no trabalho, ter um ataque de pânico transmitido ao vivo em rede nacional, o jornalista americano Dan Harris, 43 anos, não teve um ataque do coração nem decidiu virar monge.
Ele continuou na profissão, ascendeu na rede de televisão ABC, tornando-se um de seus principais apresentadores, mas fez um bico em outro ramo. Virou um defensor e marqueteiro de um estilo de vida mais zen.
Harris lançou o livro “10% Mais Feliz” (Editora Sextante, 224 páginas, preço sugerido: 29,90 reais), em dezembro, nos Estados Unidos. A obra chegou a ser a mais vendida na lista do New York Times. Será comercializada em 18 países. No Brasil, foi lançada no último mês. Sua mensagem é clara: a espiritualidade o salvou do “babaca” que ele era.
Incrédulo, ríspido e ambicioso, ele não era o tipo que procuraria ajuda espiritual. Mas foi um de seus vícios, o de trabalhar, que acabou por guiá-lo na busca pelo equilíbrio entre aspirações mundanas e uma paz espiritual.
Depois de uma cobertura de guerra mal avaliada, Harris foi incumbido por seu editor a fazer reportagens sobre religião. Ele não se interessava pelo tema, mas um pastor semeou uma pitadinha de curiosidade, um guru levantou outra lebre e, de repente, Harris se viu imerso.
Entrevistou os gurus da espiritualidade Dalai Lama, Eckhart Tolle e Deepak Chopra, fez um retiro de dez dias na Califórnia (EUA) e, no final, estava saudando Buda. (Ele não se tornou religioso, mas de ateu passou a agnóstico.)
O jornalista passou a defender a meditação inclusive em sua vertente popular, vendida em livrarias e cursos rápidos de autoajuda. Quem é atraído por um motivo, afirma, pode continuar por outro. Foi o seu caso. “Eu acho que todo mundo pode ser mais feliz”, disse. Mais do que isso: “Todo mundo pode ser melhor no que faz”, acredita.
Em sua missão de secularizar a meditação, reverter o que considera o “sério problema de marketing” e atrair pessoas tão incrédulas quanto ele mesmo já foi, Harris tem uma definição peculiar da prática.
“Consiste, basicamente, em se sentar por cinco ou dez minutos, focar o pensamento em uma coisa só, em geral na sua respiração, se perder, pensar no almoço ou em um filme e voltar a se concentrar de novo.”
Cientistas descobriram que a prática pode reduzir a pressão arterial, fortalecer o sistema imunológico, estimular o cérebro a produzir a sensação de bem-estar e até reduzir o estresse.
O jornalista, contudo, mesmo depois de sua epifania, ainda não abandonou todo o seu ceticismo. Em um ato quase herege, decidiu contabilizar o quanto a meditação pode fazer alguém mais feliz. A conclusão dá nome ao seu livro. “Ou talvez muito mais.” (Folhapress)
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