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Mundo Saiba o que é o Projeto Lincoln, criado por dissidentes republicanos que tentam impedir a reeleição de Donald Trump

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Trump é candidato à reeleição nos Estados Unidos. (Foto: Andrea Hanks/The White House)

Dan Barkhuff lutou na Marinha americana, é contra o aborto e dono de armas. Mas também não vota em Donald Trump. “Eu consigo enxergar Trump pelo que ele é”, afirma, antes de completar: “Um covarde”. O ex-militar é a estrela de uma das propagandas eleitorais mais compartilhadas na última semana nos Estados Unidos. A peça publicitária, entretanto, não foi feita pela campanha do adversário de Trump, o democrata Joe Biden.

Criado em dezembro do ano passado, o Lincoln Project (Projeto Lincoln) reúne ex-estrategistas e consultores do Partido Republicano e é o responsável pela produção desse e de outros vídeos. Com 1,2 milhão de seguidores no Twitter, o grupo ganhou fama com produções que atacam Trump, mas com um discurso mais alinhado a antigos eleitores republicanos insatisfeitos com o atual ocupante da Casa Branca.

O mais compartilhado dos vídeos causou a ira do presidente americano, que foi às redes sociais atacar os fundadores do Projeto Lincoln. Trump lembrou que muitos deles participaram de campanhas de candidatos que derrotou nas primárias do partido em 2016.

“Um grupo de Republicanos Apenas No Nome que fracassaram enormemente 12 anos atrás, depois há oito anos e que foram vencidos por mim, um iniciante na política, quatro anos atrás, copiaram (sem imaginação) o conceito de uma propaganda de Ronald Reagan, fazendo o possível para ficarem quites com seus fracassos”, escreveu Trump, de madrugada, no Twitter.

A propaganda que enfureceu Trump foi divulgada em maio e tem mais de 2 milhões de visualizações no YouTube. Os criadores fizeram um jogo de palavras com uma das mais famosas propagandas do presidente Ronald Reagan (1981-1989), um herói para os republicanos.

Com o título “Morning in America” (Manhã nos Estados Unidos), a peça original da década de 1980 mostrava um país em franco crescimento graças à política econômica adotada pelo partido. Em maio, entretanto, o Projeto Lincoln usou o mesmo modelo para apresentar uma visão oposta: “Mourning in America” (Luto nos Estados Unidos) mostrava cidades decadentes, o crescente desemprego e o fracasso do governo federal em lidar com o novo coronavírus.

“Nós esperamos o máximo possível para formar o grupo porque esperávamos que alguém, sobretudo alguém eleito, faria isso antes. Nós queremos pôr Trump na defensiva”, afirma John Weaver, um dos fundadores.

Weaver é um veterano das eleições americanas: trabalhou com o presidente George H. W. Bush, com o ex-senador John McCain, adversário de Barack Obama em 2008, e foi o estrategista de John Kasich em 2016 contra Trump. Em conversa com o GLOBO, Weaver deixou claro o objetivo do Projeto Lincoln: forçar o atual presidente a disputar em duas frentes: respondendo aos ataques do Partido Democrata, mas também vindos de conservadores e independentes.

Por enquanto, a estratégia tem funcionado. As últimas pesquisas no país já indicam que a rica campanha republicana terá que dispersar seus gastos, ao contrário do que aconteceu há quatro anos.

Este ano, Biden aparece à frente de Trump não apenas nesses estados, mas também em outros que historicamente votam nos republicanos, como Arizona e Geórgia, nos quais candidatos democratas não vencem desde 1996 e 1992, respectivamente. Preocupados com a ascensão de Biden nas últimas semanas, o Partido Republicano e a campanha do atual presidente resolveram gastar em propagandas em emissoras locais.

São os eleitores moderados republicanos e independentes nesses estados que o Projeto Lincoln quer trazer para o lado de Biden na eleição, segundo John Weaver. Eles rejeitam muitas das pautas mais à esquerda do Partido Democrata, mas também discordam da postura polarizadora de Trump. Na primeira pesquisa nacional feita pelo New York Times, Biden aparece 14 pontos percentuais à frente de Trump e lidera em seis dos estados mais disputados.

O Projeto Lincoln não é único: outros grupos formados por republicanos têm investido em propagandas contra Trump em estados de tradição republicana, forçando o presidente a se defender e evitando que ele consiga focar seus esforços nos chamados estados-pêndulo. Um deles, batizado de Eleitores republicanos contra Trump, deverá gastar US$ 2 milhões em propaganda contra o presidente.

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