Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 10 de março de 2018
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aceitou um convite para se encontrar com o líder norte-coreano, Kim Jong-un – um movimento de aparente trégua após meses de insultos, ameaças e hostilidade mútua. Segundo representantes dos governos, a reunião deve acontecer até maio. O prazo apertado para um encontro desta dimensão expõe uma série de lacunas e dúvidas sobre a aproximação dos dois países.
Episódio histórico
A conversa seria sem precedentes, marcando o primeiro encontro cara-a-cara entre lideranças americanas e norte-coreanas com mandatos ativos. Outros presidentes americanos já se reuniram com líderes norte-coreanos anteriormente, mas eles já não eram mais titulares do cargo.
“Seria quase como um encontro entre o presidente Nixon (Richard Nixon, presidente dos EUA entre 1969 e 1974) e Mao (Mao Tsé-Tung, líder da China entre as décadas de 40 e 70), em uma escala menor”, diz Michael Madden, do Instituto EUA-Coreia da Universidade Johns Hopkins.
O que será o encontro
A Casa Branca confirmou que Trump irá encontrar Kim “até maio”, mas ainda é preciso definir com mais exatidão uma data e local.
Segundo Madden, há uma “chance especulativa” de que a reunião aconteça no vilarejo de Panmunjom, pertencente à Coreia do Norte mas considerada parte de uma zona desmilitarizada entre as Coreias.
Mas, para John Park, pesquisador de um grupo de estudos sobre as região, o encontro deverá acontecer em “uma locação neutra” como a China.
Esta poderá ser a primeira conversa direta entre americanos e norte-coreanos sobre programas nucleares desde 2012.
Desde então, Kim Jong-un nunca mais se encontrou com outro líder estrangeiro, apesar de estar agendada para abril um encontro com Moon Jae-in, líder sul-coreano.
O que será a pauta
A desnuclearização certamente é o assunto sobre o qual há maior expectativa de negociação.
Mas, enquanto Kim diz estar “comprometido com a desnuclearização”, a Coreia do Norte ainda não bateu o martelo sobre o abandono completo das armas nucleares.
“Os EUA vão pressionar pela desnuclearização total e a Coreia do Sul também já disse que este é seu objetivo principal”, diz Bruce Bennett, analista da consultoria RAND Corporation.
“Mas é importante lembrar que Kim já disse várias vezes que eles não irão abrir mão de suas armas nucleares”.
Outros pontos que podem ser levados à discussão são a repatriação de americanos hoje impedidos de sair de Pyongyang e a assinatura de um acordo de paz.
“Um acordo de paz daria à Coreia do Norte mais segurança e a isentaria de uma das principais razões por trás de seu programa nuclear (a de que o país precisa se defender de outros)”, diz Madden.
Mas um dos termos de um eventual tratado poderia ser a retirada de tropas americanas da Coreia do Sul – um movimento que provavelmente seria bastante desafiador.
“Acho que Kim prevê que, se um acordo de paz for assinado, em uns 10 anos a maior parte das tropas americanas na Coreia do Sul seria retirada”, diz Bennett.
“Assim, se mais tarde ele desejar voltar a se unir com a Coreia do Sul à força, os americanos já teriam se retirado. Esta seria a forma mais segura de atingir este objetivo”.
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