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Colunistas Saúde digestiva: cuidar do intestino é cuidar da vida

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O intestino participa de processos muito mais profundos e complexos do que apenas a digestão. (Foto: Freepik)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

No dia 29 de maio celebramos o Dia Mundial da Saúde Digestiva. E talvez poucas áreas da saúde tenham despertado tanto interesse da ciência moderna, nas últimas décadas, quanto o intestino.

Durante muito tempo acreditávamos que a digestão era feita no estômago, onde, na verdade, apenas iniciamos a primeira etapa desse processo. É no intestino, órgão muito mais complexo e importante do que imaginávamos, que ocorre a principal etapa da digestão e da absorção dos nutrientes e uma intensa comunicação com o restante do organismo.

O intestino participa de processos muito mais profundos e complexos do que apenas a digestão. Ele conversa constantemente com o cérebro, o sistema imunológico, os hormônios e o metabolismo.

Muito mais que um “tubo digestivo”, o intestino funciona como uma verdadeira central de comunicação do organismo. Dentro desse órgão surpreendente habitam trilhões de microrganismos que formam a chamada microbiota intestinal – bactérias que podem contribuir tanto para saúde quanto para doença, dependendo das nossas escolhas diárias.

Aquilo que colocamos no prato, diariamente, pode favorecer inflamação ou proteção, pode alimentar bactérias benéficas ou microrganismos associados ao desequilíbrio intestinal, como ocorre no caso da disbiose. Por isso, gosto sempre de lembrar: “Cada refeição é também uma informação biológica.”

Alimentos ultraprocessados, excesso de açúcar, além da privação de sono, do sedentarismo e estresse crônico, impactam profundamente o intestino e a microbiota intestinal. Por outro lado, uma alimentação rica em fibras, vegetais, frutas, sementes e alimentos naturais contribui para um intestino mais equilibrado.

Outro ponto importante é compreender que saúde digestiva não significa apenas “não ter dor de barriga”. Muitas pessoas convivem diariamente com: estufamento, excesso de gases, refluxo, constipação, má digestão, cansaço após as refeições e acabam considerando esses sintomas normais. Não são. O corpo fala através de sinais e sintomas. E muitas vezes o intestino é um dos primeiros órgãos a demonstrar que algo não vai bem.

A medicina moderna passou a olhar para o intestino com mais profundidade justamente porque ele participa de mecanismos centrais da saúde humana. Hoje sabemos, por exemplo, que o intestino participa da produção de neurotransmissores relacionados ao bem-estar emocional e que alterações da microbiota intestinal podem participar de processos inflamatórios sistêmicos. Portanto, cuidar da saúde digestiva é cuidar da saúde integral!

No meu livro “Intestino – Onde Tudo Começa e Não Onde Tudo Termina”, disponível na Loja Canção Nova, compartilho essa visão integrativa da saúde intestinal, fruto de mais de 20 anos de experiência clínica.

  • Dra. Gisela Savioli é nutricionista funcional, fitoterapeuta, jornalista e apresentadora do Programa “Mais Saúde” pela TV Canção Nova.

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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