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Brasil Suspeita de propina corrói apoio ao presidente da Câmara dos Deputados na oposição

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Suspeito de esconder contas bancárias na Suíça e acusado de envolvimento no escândalo da Petrobras, Cunha foi alvo de representação do PSOL e da Rede, que pedem a cassação do seu mandato (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

Sintonizados com Eduardo Cunha (PMDB-RJ) desde que ele se elegeu para a presidência da Câmara dos Deputados, em fevereiro, os partidos de oposição passaram a demonstrar uma posição crítica ou de “distância segura” em relação ao peemedebista. A suposta propina de 5 milhões de dólares, delatada pelo lobista Julio Camargo, mais os rumores de uma iminente denúncia pela PGR (Procuradoria-Geral da República) levaram adversários da presidenta Dilma Rousseff a esperar os desdobramentos dos fatos, antes de emitir comentários.

Essa reação difere bastante da verificada em março, quando Cunha foi listado como um dos investigados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) sob suspeita de participação no esquema de corrupção na Petrobras. Se antes era aberto o apoio dos oposicionistas PSDB, DEM, PSB e Solidariedade, hoje somente esse último assume uma defesa pública do parlamentar. PPS e PSOL, inclusive, já pedem o seu afastamento do comando da Câmara.

Em março, quando Cunha depôs espontaneamente à CPI da Petrobras, o PSDB era um dos mais enfáticos na defesa. “Na minha concepção, Vossa Excelência não perde, em momento algum, a autoridade que tem para presidir esta Casa”, discursou o líder da bancada tucana, Carlos Sampaio (SP).

Bruno Araújo (PE), líder da bancada oposicionista na Câmara, foi além: “O senhor, hoje, é ainda mais presidente do que às vésperas da divulgação dessa lista do STF.” Até o líder da bancada do PT, Sibá Machado (AC), uniu-se ao coro: “Presidente Eduardo Cunha, eu confio em suas palavras”, afirmou o petista.

Requerimentos

Outro oposicionista que mudou de opinião foi Julio Delgado (PSB-MG). Se em março ele dizia ser necessário “separar o joio do trigo” e que Cunha “era trigo”, o discurso agora é outro. “O que eu achava eu posso dizer que hoje já não acho mais, e isso tudo tem que ser apurado”, afirmou recentemente.

O PSDB tem evitado abordar o tema. Em conversas reservadas, o senador e presidente nacional do partido, Aécio Neves (MG), recomenda que os tucanos não assumam posições precipitadas. Na única declaração que deu sobre o caso, via assessoria, limitou-se a frisar que “todas as denúncias devem ser investigadas, respeitando-se o amplo direito de defesa”.

Já para o líder do DEM, Mendonça Filho (PE), Cunha não pode “ser antecipadamente condenado e nem ser simplesmente blindado”. Ele ainda não vê razão, porém, para um afastamento. (Marcello Campos com agências)

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