Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 26 de julho de 2015
Na mira da PGR (Procuradoria-Geral da República), o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não admite a hipótese de deixar o comando da Casa, mesmo que seja denunciado por envolvimento em irregularidades investigadas pela Operação Lava-Jato da PF (Polícia Federal). “Uma eventual denúncia terá que ser apreciada pelo plenário do STF [Supremo Tribunal Federal]”, frisou o parlamentar em entrevista à Folha de S.Paulo. “Não cogito qualquer afastamento.”
A situação de Cunha se complicou desde a semana passada, quando o consultor da empresa Toyo Setal, Júlio Camargo, declarou ao juiz federal Sergio Moro, mediante delação premiada, que Cunha pediu propina de 5 milhões de dólares em um contrato da Petrobras. Camargo fez a mesma acusação à PGR, que deve denunciar Cunha ao STF no mês que vem. O caso precisa ser analisado pelos 11 ministros da Corte, já que o peemedebista preside a Câmara.
O Palácio do Planalto espera que a denúncia enfraqueça Cunha, que tem imposto derrotas importantes ao governo federal desde que se elegeu para o cargo, em fevereiro. O peemedebista ironiza. “Se o Planalto tivesse força, o presidente da Câmara teria sido o petista Arlindo Chinaglia e não eu.”
Comunicado
A bancada do PMDB divulgou nota reiterando não aceitar especulações que “visem enfraquecer a autoridade” do presidente da Casa. Já os auxiliares da presidenta Dilma Rousseff observam a movimentação com cautela. Eles acreditam que o deputado se valerá do recesso parlamentar de julho para buscar apoios e que os efeitos do rompimento de Cunha com governo só poderão ser medidos durante votações importantes após essa pausa.
Até lá, a aposta do Executivo é fortalecer o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que vinha adotando postura mais agressiva com o governo. Os ministros de Dilma vêem o momento como propício para Calheiros voltar a ser o que sempre foi: um aliado. (Marcello Campos com agências)
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