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Mundo Talibã reprime protesto por direitos das mulheres em Cabul, no Afeganistão

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Mulheres disseram que o Talibã usou gás lacrimogêneo e spray de pimenta para dispersar o último protesto

Foto: Reprodução/Youtube
Segundo líder cultural do Talibã, esporte feminino é algo 'inapropriado e desnecessário'. (Foto: Reprodução)

Combatentes do Talibã interromperam no sábado (04) uma manifestação de dezenas de mulheres em Cabul. Elas estavam protestando por seus direitos depois que o Afeganistão foi tomado pelo grupo.

As mulheres afirmam que o Talibã as alvejou com gás lacrimogêneo e spray de pimenta enquanto tentavam caminhar de uma ponte até o palácio presidencial. O Talibã, por sua vez, afirmou que o protesto saiu do controle, de acordo com o serviço de notícias afegão Tolo News.

É o mais recente de vários protestos de mulheres em Cabul e Herat, a terceira maior cidade do Afeganistão. As mulheres reivindicavam o direito de trabalhar e serem incluídas no governo.

O Talibã diz que anunciará a composição de seu governo nos próximos dias, e já declarou que as mulheres poderão se envolver no governo, mas não ocupar cargos ministeriais.

Muitas mulheres temem um retorno à forma como eram tratadas quando o Talibã estava no poder, entre 1996 e 2001. As mulheres foram forçadas a cobrir o rosto, e punições severas eram aplicadas por pequenas transgressões.

“Vinte e cinco anos atrás, quando o Talibã chegou, eles me impediram de ir à escola”, disse a jornalista Azita Nazimi à Tolo News. “Depois de cinco anos de governo deles, eu estudei por 25 anos e trabalhei muito. Pelo bem do nosso futuro, não vamos permitir que isso aconteça.”

Outro manifestante, Soraya, disse à Reuters que combatentes do grupo usaram carregadores de armas para bater na cabeça de mulheres durante o protesto, deixando-as ensanguentadas.

Enquanto isso, no fim de semana, houve confrontos no Vale Panjshir, ao norte de Cabul, onde combatentes da resistência frustraram os esforços do Talibã para tomar o controle da região.

O vale, que fica em uma província de mesmo nome, tornou-se um centro de resistência isolado no país contra o Talibã, formado por combatentes de diferentes etnias e ex-membros das forças armadas afegãs – supostamente na casa dos milhares.

Mas o Talibã afirma ter assumido o controle de mais dois distritos e diz estar se dirigindo para o centro da província de Panjshir. Um porta-voz da Frente de Resistência Nacional do Afeganistão disse que os combates continuavam lutando e que milhares de combatentes do Talibã haviam sido cercados.

O Vale Panjshir, que abriga entre 150 mil e 200 mil pessoas, foi um centro de resistência quando o Afeganistão estava sob ocupação soviética na década de 1980 e durante o período anterior de governo do Talibã.

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