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Colunistas Tapir Rocha, o gigante de Viamão

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Prefeito, deputado estadual, trabalhista, democrata e homem do povo, Tapir foi, sem dúvida, a mais importante liderança política eleita por Viamão. (Foto: Reprodução)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Viamão produziu muitas lideranças políticas ao longo de sua história. Mas poucas alcançaram a dimensão de Tapir Rocha.

Prefeito, deputado estadual, trabalhista, democrata e homem do povo, Tapir foi, sem dúvida, a mais importante liderança política eleita por Viamão em toda a sua história. Nenhum outro nome exerceu influência tão profunda na vida política do município, projetando nossa cidade para além de suas fronteiras e transformando-se em uma referência para gerações.

Sua trajetória se confunde com a própria história do trabalhismo gaúcho. Amigo pessoal e compadre de Leonel Brizola, Tapir esteve ao lado de um dos maiores líderes da história brasileira nos momentos mais importantes da luta em defesa da democracia, da educação pública e dos direitos dos trabalhadores. Não era apenas um aliado político de Brizola. Era um homem de sua confiança, alguém que compartilhava dos mesmos sonhos e das mesmas convicções.

Mas minha relação com a figura de Tapir Rocha começou muito antes de eu compreender a importância de tudo isso.

Quando criança, eu o via chegar à casa da minha mãe, a professora Docarmo, em Itapuã. Sentava-se para tomar um café acompanhado de um bolo de milho, daqueles que só as cozinhas do interior sabem fazer. Eu ficava observando aquela figura que despertava respeito por onde passava.

Tapir era um homem esguio, de baixa estatura. Mas, aos meus olhos de menino, parecia um gigante.

Talvez porque eu percebesse, mesmo sem entender direito, que havia algo diferente nele. Talvez pela forma como falava. Talvez pelo respeito que inspirava nas pessoas. Ou talvez pelas histórias que ouvia dos mais velhos sobre sua coragem e sua dedicação ao povo.

Logo veio a adolescência, e junto dela nasceu meu interesse pela política. Foi então que aquele personagem quase mítico da minha infância começou a ganhar contornos mais nítidos. Passei a conhecer melhor sua história, sua luta e seu legado.

Descobri o homem que enfrentou injustiças sem abandonar seus princípios. O líder que dedicou sua vida à defesa dos trabalhadores, dos mais pobres e daqueles que raramente tinham voz. O político que compreendia o mandato como uma missão de serviço público.

Descobri também o democrata.

Durante a ditadura militar, Tapir Rocha esteve entre aqueles que se recusaram a aceitar o autoritarismo como destino do país. Sua defesa da democracia lhe custou perseguições e prisão. Em tempos de medo e silêncio, escolheu a coragem. Em tempos de arbitrariedade, escolheu a resistência. Enfrentou, sozinho, um tanque do exército no centro de Porto Alegre.

É fácil defender a democracia quando ela está garantida. Difícil é defendê-la quando isso exige sacrifícios pessoais. Tapir fez essa escolha.

No início dos anos 2000, Viamão perdeu seu maior líder político. Sua partida deixou saudade e um vazio difícil de preencher. Mas os grandes homens não permanecem apenas através de suas obras. Permanecem através da memória que deixam e dos exemplos que inspiram.

Por isso é tão importante preservar a história de Tapir Rocha.

Não apenas por respeito ao passado, mas porque as novas gerações precisam conhecer homens públicos que fizeram da política uma ferramenta de transformação social. Precisam saber que existiram líderes que colocaram os interesses do povo acima dos interesses pessoais. Que existiram homens que enfrentaram perseguições sem abrir mão de suas convicções.

Quando lembro daquele menino observando Tapir tomar café na casa da minha mãe, compreendo que minha admiração nasceu muito antes da minha consciência política.

Eu enxergava um gigante.

Hoje sei que estava certo.

Tapir Rocha foi um gigante de Viamão. Um gigante do trabalhismo. Um gigante da democracia. E um daqueles raros homens cuja história continua iluminando os caminhos de quem acredita que a política pode ser exercida com coragem, coerência e compromisso com o povo.

* Guto Lopes, jornalista e comunicador da Rede Pampa

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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