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Polícia Traficante colombiano que começou a ser procurado nos Estados Unidos se passou por refugiado no Brasil

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No Brasil, a prisão só foi decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 7 de abril deste ano, após confirmação de que ele estava no Rio de Janeiro. (Foto: Reprodução)

Foi como refugiado de seu país de origem que, em 2015, o traficante colombiano Efe Sullivan Loaiza Durango, de 35 anos, entrou no Brasil. Preso no último fim de semana pela Polícia Federal na Baixada Fluminense, ele tentou obter autorização para permanecer em solo brasileiro nessa condição — na qual, em geral, ficam pessoas que alegam perseguições, muitas vezes por razões políticas ou até mesmo empreendidas pelo crime organizado. Em 2016, o pedido foi negado, mas ele continuou no estado do Rio e, segundo denúncias, não deixou o mundo do crime.

No ano seguinte, Durango entrou com nova solicitação, dessa vez para obter uma permissão para residir no Brasil, o chamado Registro Nacional de Estrangeiro (RNE). Ao longo do andamento desse processo, no entanto, ele passou a ser procurado nos Estados Unidos por traficar drogas e acabou tendo seu paradeiro descoberto no Rio. Durante o levantamento de dados de antecedentes criminais do colombiano pelas autoridades brasileiras, chegou ao conhecimento dos americanos que o traficante estava no Rio, e seu nome foi incluído na chamada difusão vermelha da Interpol.

Logo que chegou ao Brasil, em julho de 2015, Durango se instalou na Baixada Fluminense e passou a atuar como agiota na região, emprestando dinheiro para terceiros com juros altíssimos e sem uma empresa legalizada para isso. Pessoas que conheciam o colombiano e relataram que o estrangeiro também atuava no tráfico de drogas de seu país de origem, mesmo vivendo no Brasil. Peças do processo respondido por ele nos Estados Unidos confirmam essa versão.

De acordo com as acusações da Justiça americana, às quais a reportagem teve acesso, Durango teria enviado cocaína e heroína da Colômbia para os Estados Unidos ao menos em quatro ocasiões — fevereiro e agosto de 2015 e fevereiro e abril de 2016. Segundo informações da Polícia Federal (PF), o traficante era responsável pela logística do envio da droga por uma rota que saía da cidade colombiana de Medellín para Flórida, nos EUA. Durango e outros três comparsas passaram a ser procurados pela Justiça dos Estados Unidos em novembro de 2018.

Interpol pediu prisão

No Brasil, a prisão só foi decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 7 de abril deste ano, após confirmação de que ele estava no Rio de Janeiro. O pedido de prisão foi feito pelo Escritório Central Nacional da Interpol em Brasília.

Durango morava com a esposa e dois filhos adolescentes em uma casa em Saracuruna, em Duque de Caxias. A mulher é dona de casa, e os meninos estudam em uma escola pública da cidade. Desde outubro do ano passado, ele era sócio-administrador de uma empresa de montagem de andaimes no município.

No Rio, o colombiano não tinha anotação criminal alguma. No sistema da Polícia Civil, o nome de Durango consta em dois registros de ocorrência, ambos como vítima. Em um deles, de abril de 2018, consta que o estrangeiro foi roubado enquanto andava de Uber em São João de Meriti, também na Baixada. Ele e o motorista foram alvos dos criminosos. Na ocasião, Durango afirmou aos policiais que trabalhava como camelô.

O outro registro de ocorrência demonstra que o colombiano já circulava no Rio ao menos desde junho de 2012. Na ocasião, ele compareceu à 76ª DP (Fonseca) para comunicar que tivera sua motocicleta furtada no Centro de Niterói, na Região Metropolitana.

Durango foi localizado e capturado no início da manhã do último dia 1º. O colombiano estava sendo monitorado e voltou para casa no dia anterior, à noite, depois de uma semana fora. Os agentes aguardaram o dia amanhecer para cumprir o mandado de prisão. Informalmente, o estrangeiro relatou aos agentes que participaram da prisão que buscou refúgio no Brasil após a família ter problemas na Colômbia. Ele chegou a relatar que o irmão foi ameaçado e que a família sofreu perseguições, sem entrar em detalhes do que teria ocorrido.

Durango deve permanecer em um presídio no Rio por um período de seis meses a um ano. O mandado de prisão expedido pelo STF é apenas para extradição. Mas, agora, após sua prisão, sua ida para os EUA não ocorre de forma automática. Ainda tramita, no STF, um processo para enviá-lo para o país, que pode durar de seis meses a um ano. O colombiano ainda será julgado pela Justiça americana e poderá ser condenado à prisão perpétua. Com informações do G1.

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