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Mundo Trump em queda livre? O que explica a crise de popularidade do presidente dos Estados Unidos

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Há quase dois meses, a desaprovação do norte-americano está acima de 60%. (Foto: Reprodução)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrenta uma crise de impopularidade, segundo pesquisas de opinião divulgadas pela agência Reuters em parceria com o instituto Ipsos. Há quase dois meses, a desaprovação do norte-americano está acima de 60%.

Não é de agora que a aprovação de Trump acendeu um alerta no Partido Republicano, legenda do próprio presidente. Em menos de seis meses, os norte-americanos irão às urnas para renovar quase todo o Congresso. Uma derrota poderia dificultar a vida política do presidente.

Atualmente, o Partido Republicano controla tanto a Câmara quanto o Senado, mas por margem pequena.

Pesquisas indicam que o Partido Democrata, da oposição, tem se tornado favorito para retomar pelo menos a Câmara.

Diante desse risco, Trump tem adotado estratégias diferentes para tentar conter a impopularidade.

Entre as ações está a pressão contra estados mais conservadores a redesenhar os mapas eleitorais e favorecer candidatos republicanos nas eleições legislativas.

O último levantamento divulgado pela Reuters, em 11 de maio, aponta que Trump é aprovado por 36% dos norte-americanos, enquanto 63% desaprovam o trabalho do presidente. A margem de erro é de três pontos percentuais.

O índice é um pouco melhor do que o registrado no fim de abril, quando a aprovação atingiu a mínima histórica deste segundo mandato: 34%. A desaprovação chegou a 64% na mesma pesquisa.

A atual avaliação de Trump é tão negativa quanto a enfrentada pelo governo anterior, de Joe Biden, no pior momento do democrata.

Em outubro de 2024, semanas antes das eleições presidenciais vencidas por Trump, Biden era aprovado por apenas 35% dos americanos.

No entanto, a avaliação negativa do democrata nunca ultrapassou 60%, segundo levantamento da Reuters.

Os dados mostram que a avaliação de Trump piorou à medida que o presidente avançou com pautas que impactaram principalmente o bolso do eleitor americano. A aprovação começou a cair após o tarifaço anunciado em abril de 2025 contra dezenas de países.

Ao mesmo tempo, o presidente também enfrentou crises que desgastaram a própria imagem.

O vaivém sobre os arquivos da investigação do caso do abusador Jeffrey Epstein e as mortes de cidadãos americanos em operações antimigratórias viraram alvo de críticas, inclusive entre apoiadores de Trump.

No entanto, para Carlos Gustavo Poggio, professor de relações internacionais e especialista em política dos EUA, a gota d’água foi a guerra com o Irã. A ofensiva lançada em fevereiro deste ano fez o preço do barril de petróleo bater recorde, o que elevou o preço dos combustíveis.

“Isso atinge diretamente o americano e consolidou esse movimento de queda na aprovação”, diz. “A questão central que explica a aprovação baixa do Donald Trump hoje é a economia.”

Impopular

Por que Trump se tornou impopular? Poggio explica que Trump foi eleito em 2024 a partir de um “acordo tácito” com o eleitor. À época, parte da sociedade norte-americana aceitava a volta do republicano, desde que ele entregasse resultados positivos na economia — ponto fraco do governo Biden.

Um dos motes da campanha presidencial de Trump foi “America First”, ou “Estados Unidos em primeiro lugar”, em tradução livre.

O então candidato também fez críticas à forma como Biden conduzia a política externa, especialmente pelo envolvimento dos EUA em conflitos como a guerra entre Ucrânia e Rússia.

No entanto, após retornar à Casa Branca, Trump acabou envolvido em novos conflitos internacionais. Ao mesmo tempo, a inflação voltou a subir.

“As pessoas estavam dispostas a aceitar o comportamento de Donald Trump, que é pouco presidenciável. Por si só, ele é bastante nefasto, por uma série de questões como civilidade, democracia e outras. Mas não era com isso que as pessoas estavam preocupadas”, diz.

“Se a economia estivesse indo bem, as pessoas não se importariam tanto com o fato de ele querer construir um salão de festas na Casa Branca, por exemplo. Mas com a economia indo mal, isso tudo ganha uma outra interpretação.”

Levantamento da Reuters divulgado em 11 de maio mostra que 64% dos norte-americanos desaprovam a forma como Trump conduz a economia. Esse é o pior resultado do republicano nos dois mandatos.

No fim de abril, a aprovação de Trump na área econômica chegou a 27%, o pior índice já registrado para o republicano na série histórica Reuters/Ipsos. O número ficou abaixo do pior momento de Biden, que registrou 32% em janeiro e maio de 2023, além de dezembro de 2024.

O impacto na corrida eleitoral

Uma outra pesquisa Ipsos, encomendada pelo jornal The Washington Post e pela rede americana ABC, apontou que Trump tem a pior aprovação aos 100 dias de governo entre todos os presidentes americanos dos últimos 80 anos. Os dados foram divulgados no dia 27 de abril.

A queda de popularidade já começou a produzir efeitos eleitorais.

Nas eleições locais de novembro de 2025, os democratas conquistaram vitórias importantes, incluindo a eleição do socialista democrata Zohran Mamdani para a prefeitura de Nova York — mesmo após Trump se envolver diretamente na disputa e fazer campanha contra o candidato.

Eleições especiais recentes também mostraram avanço democrata. Em abril, o site especializado Politico publicou uma análise mostrando que candidatos democratas tiveram, em média, desempenho 5 pontos superior ao registrado pelo partido na eleição presidencial de 2024.

Pesquisas recentes apontam que os democratas podem chegar às chamadas Midterms em vantagem. As eleições legislativas, marcadas para 3 de novembro, irão renovar toda a Câmara dos Representantes e um terço do Senado americano.

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