Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 7 de março de 2020
Ex-secretário do Esporte, o general Décio Brasil diz acreditar que foi exonerado por ter resistido a atender a um pedido de Jair Bolsonaro, de nomear a um cargo um amigo de Flávio Bolsonaro.
“Talvez tenha desagradado o presidente”, disse. “Como ele é impulsivo, tomou a decisão”. O general diz que acabou aceitando a indicação, mas que ficou numa saia-justa. “Um subordinado que não falava comigo, que me disse que só conversaria com o ministro, com o presidente ou com o senador”.
Padrinho de casamento de Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ), Marcelo Magalhães foi nomeado chefe do Escritório de Governança do Legado Olímpico, órgão que administra o Parque Olímpico da Barra da Tijuca, no fim de janeiro. Em 27 de fevereiro, foi colocado no lugar do general, exonerado do cargo de secretário Especial do Esporte.
“Infelizmente, o nosso trabalho está sendo jogado no lixo e a gente fica frustrado”, afirma Décio Brasil. O general diz não ter falado com Jair Bolsonaro desde então e que ninguém nunca explicou oficialmente sua exoneração. “O presidente não me deve satisfação, porque o cargo é dele e ele coloca lá quem ele quiser”.
Magalhães é o terceiro a chefiar a pasta no governo Bolsonaro.
Abaixo, confira trechos da entrevista.
1) Por qual motivo o senhor foi exonerado?
Só pode ter um. O resultado do nosso trabalho foi muito bom. E, de repente, fui surpreendido com a exoneração. Não esperava. Acho que o principal motivo foi o fato de eu ter sido reticente na nomeação do Marcelo Magalhães para o escritório do Rio—Escritório de Governança do Legado Olímpico, órgão que administra o Parque Olímpico da Barra. Talvez isso tenha desagradado o presidente, porque a minha exoneração já foi junto com a nomeação dele para o meu lugar.
2) Por que o senhor não queria o indicado do presidente?
Eu não conhecia o Marcelo. O secretário de Esporte é o ordenador de despesa do Parque Olímpico da Barra. Não conhecia, até hoje eu nunca vi esse cara. Eu cheguei a falar pro presidente, duas vezes, que eu precisava de alguém da minha confiança lá porque a documentação ia do Rio para Brasília, para ordenar despesas. Precisava de alguém para fazer a conferência burocrática dos gastos lá. E eu queria uma pessoa de confiança para não precisar ficar fiscalizando o trabalho dos outros. Embora o presidente dissesse que era da confiança dele, eu tinha essa reticência, de aceitar.
3) O pedido de nomeação foi feito pelo presidente?
Eu sempre tive essa informação pelo presidente da República.
4) Como foi a primeira vez do pedido?
Marcelo é um conhecido antigo do presidente. Eu disse que ele poderia integrar o escritório do Rio, mas que eu precisava de alguém da minha confiança como chefe. O presidente entendeu isso. Acho que as reportagens começaram a incomodar o presidente. Como o presidente é impulsivo, ele tomou essa decisão. Ele [Marcelo] tomou dia 5 de fevereiro, eu chamei ele pra uma reunião, ele não foi. Nunca vi ele pessoalmente. Só conheço da fotografia que vi na imprensa. Nunca vi a cor dos olhos dele. Era muito difícil para mim, como chefe, aceitar essa situação.
5) Qual sua opinião sobre a demissão?
Fiquei surpreso. Achava que minha situação era estável. A gente tinha um planejamento pronto. É frustrante. Ficamos tristes. Tivemos o cuidado de tirar as pessoas que estavam remando contra para colocar pessoas que vestissem a camisa. Fizemos um bom saneamento. A Lei de Incentivo não teve nenhum problema. Ganhamos credibilidade com as entidades que usam da lei. Aumentou muito a credibilidade. Transformamos tudo em uma coisa muito transparente. A aproximação que tivemos com o meio esportivo também foi bem importante. Estávamos parceiros do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).
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